Os principais motivos para o desaparecimento de crianças e adolescentes são maus tratos (35%), alcoolismo (24%), violência doméstica (21%), drogas (15%), abuso sexual e incesto (9%) e negligência (7%). Os dados são do Projeto Caminho de Volta – Busca de Crianças Desaparecidas no Estado de São Paulo, que atendeu 184 famílias atendidas nos últimos 12 meses. Na maioria dos casos (76%), as crianças fugiram de casa, e as demais desapareceram por meio de raptos e seqüestros.

O levantamento foi apresentado na quarta-feira (19), no 1º Seminário Estadual Projeto Caminho de Volta. De acordo com a coordenadora do projeto, Gilka Gattás, o Caminho de Volta é uma iniciativa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Ele foi lançado em setembro de 2004. Seu objetivo é auxiliar na busca pelos menores desaparecidos no estado.

Segundo Gattás, 110 crianças ligadas às famílias inscritas no projeto foram encontradas, e a maioria voltou para casa espontaneamente. "O interessante é observar se essa criança volta para casa e foge de novo. Parece que está querendo pedir atenção à família", aponta a coordenadora.

O programa atende as famílias que tiveram filhos desaparecidos e oferece ajuda psicológica e social. Também mantém um banco de DNA que colhe amostras de pais que perderam seus filhos e de crianças encontradas ou que estão em instituições sociais, para permitir o reencontro. "Na própria Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa a família é atendida por um psicólogo. Após a aplicação de um questionário, nós coletamos o sangue que é levado para o laboratório da USP, onde é analisado", informou Gilka Gattás.

Quando uma criança é encontrada e não se consegue descobrir a filiação pela fisionomia ou pela história do menor, o material genético é coletado e usado para comparação com o material biológico de todos os pais cadastrados no banco de DNA.

De acordo com o levantamento, os meninos fogem de casa com menos idade do que as meninas. "Entre os 8 e 12 anos os meninos começam a desaparecer de suas residências e as meninas entre 13 e 18 anos". Com relação à conduta dos menores, a pesquisa aponta que 9% tinham envolvimento com álcool, 9% tinham envolvimento com drogas, 2% eram infratores, 5% tinham envolvimento com álcool e drogas, 1% com álcool e algum tipo de infração, 5% com drogas e algum tipo de infração e 5% com álcool, drogas e algum tipo de infração.

Além de São Paulo, outras oito cidades no interior paulista já contam com o serviço prestado pelo Projeto. São elas: Santos, Campinas, São José dos Campos, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Bauru, Presidente Prudente e Sorocaba. O projeto recebeu financiamento da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, que custeou cerca de R$ 196 mil para a sua implantação.