O Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas será ampliado para mais 10 escolas de Curitiba, fechando o ano de 2005 com 34 estabelecimentos envolvidos e a participação de 23 mil alunos. O anúncio foi feito pelo prefeito Beto Richa, nesta terça-feira (19), na abertura do 3º Seminário Adolescência e Sexualidade na Escola, que reuniu ao longo do dia, no Colégio Estadual do Paraná, mil pessoas, entre diretores, professores de ensino Médio e Fundamental, especialistas e profissionais de saúde.

O prefeito destacou os eixos centrais do seminário – a redução da gravidez na adolescência e a prevenção à aids – e lembrou o papel insubstituível da escola pública, ao lado da família, no enfrentamento das duas questões. "A escola é um difusor de informação e nesse processo não se permitem aventura nem vacilo". Citou os avanços de Curitiba no combate à gravidez precoce, mostrando a queda para 16% da taxa de adolescentes grávidas, na faixa entre 10 e 19 anos, em 2004, contra os 18,8% de 2001.

O secretário municipal da Saúde, Michele Caputo Neto, disse que as causas tratadas no seminário "são justas, importantes e abordadas sempre de forma ousada e pioneira em Curitiba". Lembrou também que "quando saúde e educação trabalham juntas o resultado é certo". O encontro sobre sexualidade faz parte do Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas, implantado em Curitiba de forma pioneira em 2003, que prevê orientação sexual em sala de aula, para turmas de 7ª e 8ª série, e disponibilização de preservativos masculinos.

O Saúde e Prevenção, uma iniciativa do governo federal, tem por meta reduzir os índices de gravidez na adolescência e combater o crescimento da aids entre adolescentes. Dois adolescentes, Wesley Braga, e Bruna Trajano, abriram o seminário com depoimentos sobre a experiência deles no projeto. Grupos de rappers e hip-hop, de escolas participantes do projeto também se apresentaram no seminário. A coordenadora municipal de DST/Aids, Mariana Thomaz, fez uma balanço dos resultados até agora do projeto em Curitiba.

A investigadora da Unesco no Brasil – o órgão nas Nações Unidas é parceiro no projeto -, Carla Silveira, disse que o sucesso da iniciativa está vinculado ao compromisso ético e político dos governantes em dar continuidade às ações propostas. O técnico Eduardo Junqueira, do Programa Nacional de DST/Aids, representante do ministro da Saúde, Humberto Costa, afirmou que é preciso coragem e determinação no enfrentamento da aids, incluindo o combate ao preconceito e a discriminação.

O especialista Rogério Junqueira, da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação, elogiou Curitiba, "município que sempre trabalha com coragem e ousadia", e considerou o educador como o instrumento para o avanço dos direitos humanos. A assessora técnica do Programa Nacional de DST/Aids, Cristina Branco, fez um balanço do Saúde e Prevenção no país, destacando as ações de de Curitiba, "que vem dando um banho em parceria entre saúde e educação".

Cristina defendeu também a inserção da prevenção à aids entre adolescentes e a redução da gravidez na adolescência nos projetos político-pedagógicos das escolas. No Brasil, de 1984 para cá, 2,3% dos casos de aids ocorreram na faixa etária entre 10 e 19 anos. Curitiba tem 6360 casos de aids notificados. Desses, 151 (2,37%) são adolescentes na faixa de 15 a 19 anos. Já as taxas de gravidez precoce no município, na faixa de 10 a 19 anos, caíram de 19,9% em 1997, para 16% no ano passado.

Seminário

O encontro sobre sexualidade foi uma parceria entre Prefeitura de Curitiba, Governo do Estado, Unesco, Cepac, Universidade Federal do Paraná (UFPR), ministérios da Saúde e da Educação e Sesc. Participam representantes dos programas nacional de DST/Aids e Saúde do Adolescente; das secretarias especiais de Direitos Humanos, Igualdade Racial e Mulheres e das universidades Gama Filho (RJ) e Estadual de Londrina (UEL).

Estiveram presentes na abertura dos trabalhos os secretários municipais da Saúde, Michele Caputo Neto, e da Educação, Eleonora Fruet. Foram três mesas-redondas: Saúde e Prevenção; Educação Sexual em Debate e Inclusão dos Temas Sociais Contemporâneos na Escola, com a participação de representantes da Unesco, ministério da Saúde e da Educação, secretarias municipais da Saúde e da Educação e Cepac.