Foto: Arquivo/O Estado

Irmãos Cravinhos e Suzane Ritchthofen, no dia em que foram presos por assassinar pais da estudante.

O promotor Roberto Tardelli pediu ontema prisão preventiva de Suzane von Richthofen e dos irmãos Daniel e Christian Cravinhos, acusados do assassinato dos pais da jovem, Manfred e Marísia, em outubro de 2002.

Na linguagem ácida habitual das peças que assina, Tardelli argumenta que Daniel e Christian demonstraram, em entrevista à "Rádio Jovem Pan", uma frieza e uma capacidade de dissimulação tão grandes para planejar o homicídio que representam risco à ordem pública. A mesma tese, diz o promotor, vale para Suzane.

"Solto, (Daniel) debocha; livre, torna-nos todos espectadores de sua minudência (minúcias), de seu caprichoso talhe, de seu figurino cuidadoso e detalhista", escreveu. "Mas, seu próprio orgulho deixa a todos nítido seu sentimento, não de desprezo pela lei, mas de superioridade à lei, pouco se dando ao mínimo recato que se espera de um assassino confesso."

Sobre a jovem, Tardelli afirma ter a sensação de que ela fugiu. "Longe de tudo e de todos, Suzane vai se transformando, com seu completo e absoluto desaparecimento, pouco a pouco, em uma lenda viva." O advogado da jovem, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, não foi encontrado para comentar o assunto.

Durante a entrevista, Daniel declarou que ele e Suzane chegaram a disparar uma arma da família dela, para testar se faria muito barulho no momento do crime. Segundo a advogada dos irmãos Cravinhos, Gislaine Jabur, Daniel não disse que planejou o crime com a então namorada. "Planejar é uma coisa. Outra coisa é pensar sobre o assunto", disse ela.

"A Suzane falava sobre isso, ele ouvia e dizia que não era a forma mais adequada de resolver o problema. Foi ela quem escolheu o dia do crime." Daniel também declarou que a jovem sofria abusos por parte do pai. Por meio do advogado, Suzane negou.

Gislaine alega que seus clientes não disseram nenhuma novidade e, portanto, não há motivo para a prisão. "Se o juiz decretar a prisão, vamos recorrer. A situação não mudou desde o dia em que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) mandou soltá-los." Suzane foi libertada em junho do ano passado e os Cravinhos, em novembro. Os ministros entenderam que havia um defeito no decreto que mandou prendê-los, em 2002.