Os proprietários das fazendas apontadas pelo Ministério da Agricultura com focos de febre aftosa anunciaram nesta quarta-feira (23) que aceitam o sacrifício sanitário de seus animais. Assim, eles esperam que o impasse técnico criado no Estado em relação à aftosa seja definitivamente solucionado. ?Ficou decidido que nenhum dos proprietários vai entrar com liminar na Justiça para impedir o sacrifício. E quem entrou, deverá retirar a ação?, disse o diretor-geral da Secretaria da Agricultura, Newton Pohl Ribas, que participou da reunião com representantes das sete propriedades rurais no Centro de Ensino Superior de Maringá (Cesumar).

Os criadores condicionaram o sacrifício imediato do rebanho à realização da necropsia nos animais sorologicamente reagentes. Os materiais coletados serão enviados ao Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa) para a realização dos exames. ?A necropsia será feita em alguns dos animais que serão sacrificados. Isso para se ter uma amostragem estatística desses animais soropositivos, que será enviada ao laboratório do Panaftosa?, informou o diretor-geral.

Ribas lembrou que os proprietários também autorizaram a entrada dos técnicos que fazem parte das comissões de avaliação e sacrifício, que vão avaliar o rebanho de cada propriedade considerada foco pelo Ministério. ?Ficou decidido que as valas começarão a ser abertas?, afirmou.

As seis propriedades rurais têm um rebanho estimado em 4.500 animais. São elas: Fazenda Flor do Café (Bela Vista do Paraíso); Fazenda Santa Izabel (Grandes Rios); Fazenda Cesumar e Fazenda Pedra Preta (Maringá); e Fazenda Alto Alegre e Fazenda São Paulo (Loanda). Somam-se aos 1795 bovinos da fazenda Cachoeira, onde houve o primeiro foco.

O diretor-geral disse que o objetivo da reunião com os representantes das fazendas foi discutir e definir os procedimentos que serão adotados para que o Paraná recupere o status de zona livre de aftosa com vacinação.

Participaram do encontro o diretor do Departamento de Fiscalização (Defis) da Secretaria da Agricultura, Felisberto Baptista; o superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná,Valmir Kowalevski; a reitoria e o corpo técnico da Centro de Ensino Superior de Maringá; como também representantes das assessorias jurídicas dos criadores e da diretoria da Sociedade Rural do Paraná.

Não há vírus

Durante a reunião, os proprietários, seus representantes de classe e suas assessorias jurídicas e técnicas reiteraram que não há vírus da febre aftosa em seus rebanhos. Com isso, eles reafirmaram que o Paraná não tem a doença.

Os participantes ainda informaram que as normas dos referidos protocolos de comércio deverão ser readequadas à realidade do sistema de defesa agropecuária do País. Eles também esperam que sejam restabelecidas as atividades voltadas à produção pecuária de corte e de outros segmentos do agronegócio, que ficaram paralisados no Paraná.

O comunicado

O Ministério da Agricultura comunicou oficialmente no dia 20 à Secretaria da Agricultura, por meio da Nota Técnica DSA nº 5, assinada pelo diretor do Departamento de Saúde Animal, Jorge Caetano Júnior, que concluiu a análise e o relatório final a respeito das 2.205 amostras coletadas nas propriedades sob suspeita de febre aftosa no Paraná. Diante disso, o Ministério reconheceu, mesmo não encontrando a doença e nem isolando o vírus, as seis propriedades com focos de febre aftosa no Estado, comunicados dia 19 à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

O governador Roberto Requião criticou no dia 22, na Escola de Governo, o anúncio do Ministério sobre os novos focos no Paraná e lembrou que a operação contra a aftosa no Estado envolveu mais de 300 profissionais da Secretaria da Agricultura, além de outros 100 técnicos e veterinários que foram contratados devido à situação de emergência. Segundo ele, também foram adquiridos 100 novos automóveis que, somados a centenas de veículos da Secretaria, fortaleceram as ações contra a ameaça da doença.