Florianópolis – Marinês Brustolin Segovia, uma prostituta de 32 anos, está se recuperando em casa, em Chapecó (630 km de Florianópolis), onde foi encontrada na última terça-feira com os pés pregados na parede e as mãos pregadas no chão, como se estivesse crucificada. "Eu queria sentir a mesma dor que Jesus Cristo sentiu na cruz. Eu quero pagar todos os pecados que cometi no momento em que me deitei com cada homem", disse ela, que havia pedido a dois adolescentes para cravar os pregos comuns, de 10 centímetros, pagando R$ 30,00 pelo serviço. Um deles acabou roubando um aparelho de CD do carro e alguns objetos pessoais da mulher.

Os bombeiros foram chamados pela Polícia Militar e a encaminharam ao hospital Leonir Vargas. De acordo com o médico Leonides Baldissera, Marinês chegou ao hospital consciente, com sangramento nos ferimentos, que não eram graves. Foi preciso apenas aplicar anestesia local para retirar os pregos. Ela recebeu a recomendação de ficar no hospital em observação, mas se recusou e voltou para casa, após pedir a aplicação de um anestésico para suportar a dor.

Marinês é conhecida no pronto-socorro do hospital, onde aparece com freqüência. Ela diz que já tentou o suicídio várias vezes e chegou cortar o pulso direito. Na penúltima vez, havia tomado comprimidos em excesso: "Eu não tenho aids, tenho um tumor na minha cabeça que provoca muita dor e depressão", contou ela, que teria sido despedida do último emprego por suspeita de que era soropositiva.

Após contar que teve uma vida familiar difícil, com sessões de espancamentos primeiro por seu pai e depois por seu marido, ele disse que deixou o filho com a família no Paraná e voltou para Chapecó, onde começou a se prostituir. Marinês disse que já foi secretária de cobrança, taxista, telefonista e recepcionista, mas nenhum emprego durou muito. Há um ano e meio está sob tratamento por causa de um tumor no cérebro, confirmado por uma tomografia e inoperável segundo os médicos.