Na presença de membros da colônia japonesa de Apucarana, autoridades municipais e convidados, o presidente da Câmara Setorial de Comércio Brasil/Japão, Makoto Yamashita, juntamente com Roberto Hosokawa e Gervásio Iwamoto, da Câmara Setorial e da Associação Paranaense da Província Japonesa de Hyogo assinaram ontem (25/01 ? quarta-feira), em solenidade realizada no gabinete da Prefeitura, uma carta e um protocolo de intenções de parceria no campo ambiental entre os municípios de Apucarana e a província, que podem, em um futuro próximo, ser oficializados como ?Cidades Co-irmãs?, estabelecendo uma relação bem-próxima principalmente no mercado de ?Crédito Carbono?.

Na oportunidade, o prefeito Valter Pegorer (PMDB) decretou ainda uma comissão formada por membros da colônia, que ficarão responsáveis por dar início imediato aos estudos que levem a irmandade se tornar uma realidade muito em breve. ?Temos um apreço muito grande pela colônia japonesa, que desde que chegou ao município esteve sempre presente em todos os importantes empreendimentos, provendo a cultura, a recreação e a economia em geral?, salientou Pegorer.

O secretário de Meio Ambiente e Turismo de Apucarana, João Batista Beltrame (Joba), também ressaltou a cultura japonesa, dizendo que nós brasileiros precisamos apreender mais com eles. ?Os japoneses são disciplinados e têm personalidade para atingir suas metas. Nos brasileiros temos sonhos, criatividade, mas muitas vezes nas primeiras dificuldades desanimamos e procuramos outros caminhos. Esse protocolo de intenções é na verdade um canal aberto entre Apucarana e a província de Hyogo. E através dele queremos beber na fonte, aprender, buscar outros olhares e aperfeiçoar nossas atitudes e ações?, disse Joba.

Perspectivas

De acordo com os representantes internacionais, para que o processo de parceria e irmandade se concretize, um longo ritual deve ser respeitado. ?Costumamos dizer que é como se fosse um namoro, que deve ter intensa participação da colônia para que se encerre em casamento?, disse o presidente da Câmara Setorial de Comércio Brasil/Japão, Makoto Yamashita, que em seu discurso demonstrou claramente ter simpatizado com Apucarana, principalmente pelo envolvimento da colônia japonesa na sociedade e valorização da cerejeira-ornamental pelo município, que é a árvore símbolo do Japão e está presente na urbanização das ruas. ?Hoje temos de 7 a 8 mil e dentro de dois anos devemos chegar a 20 ou 25 mil em toda a cidade?, informou o prefeito Valter Pegorer.

Benefícios

Roberto Hosokawa da Câmara Setorial e da Associação Paranaense da Província Japonesa de Hyogo, fez uma explanação sobre o comércio ?Crédito Carbono?, destacando que sua aplicação prática mundial está no início. ?A proposta teve origem a partir da preocupação com o meio ambiente ? principalmente alterações climáticas – por parte dos países da Organização das Nações Unidas. Assim em 1997 eles assinaram um acordo que estipula controle sobre as intervenções humanas no clima, criando o chamado mercado de créditos de carbono através do Protocolo de Kyoto?, conta Hosokawa. Pelo acordo, os países desenvolvidos devem reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 5,2%, em média, relativas ao ano de 1990, entre 2008 e 2012. ?O Japão, por exemplo, é hoje a segunda economia do mundo e mais do que nunca está preocupado com os problemas ambientais que, em termos globais, anuncia um esgotamento de seus recursos nos próximos 50 anos. O ritmo de crescimento dos grandes depende do sucesso do Protocolo?, explica o especialista.

Aos países desenvolvidos que já não possuem maneiras de reduzir seus índices de poluição atmosférica, o Protocolo de Kyoto prevê a compra de créditos junto aos países em desenvolvimento. ?E o Brasil é um dos que mais potencial tem para venda em todo o mundo. Para se ter uma idéia da grandeza deste mercado, em menos de seis anos o valor da tonelada do carbono passou de US$1 para US$12, sendo que perspectivas apontam que em breve possa chegar a US$35 a tonelada?, comenta.

Para que Apucarana possa ter direito a pleitear os créditos carbono, precisa desenvolver projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e para isso, inicialmente inscreverá o Caminho das Águas e sub-projetos ligados à idéia.