Os candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) reconheceram que as questões da prova exigiram mais interpretação do que cálculos, mas nem todos acharam positivo diminuir a cobrança das fórmulas, que eles chamam de "decoreba".

Além do tema da redação, o trabalho infantil, o conhecimento de vários outros problemas atuais do Brasil e de outros países foi cobrado na prova. O referendo sobre o desarmamento, a água, as guerras, a África e as doenças tropicais como a malária foram assuntos abordados nas 63 questões do exame. "Tinha de tudo", resumiu a candidata Edinalva de Jesus, de 21 anos.

A decisão do governo federal de elaborar uma prova com aplicação do conhecimento da vida cotidiana agradou grande parte dos candidatos. "Vim pensando que o pessoal de escola particular iria ter bom desempenho em relação a nós, que somos de colégio público, mas não. Não se exigiu decoreba. Os cálculos estavam muito fáceis e óbvios", afirmou a estudante Elaine Pereira Dias.

A operadora de tele-markenting Eliane Soares disse que acha esse tipo de prova mais fácil "porque abrange vários assuntos, não se fixa só ao que você aprendeu porque no ensino médio você esquece a maior parte do que aprendeu".

Já para Ana Carolina Martins faltaram temas atuais. "Acho que a prova não foi assim. Acho o vestibular mais atual que a provas do Enem", reclamou a adolescente de 17 anos, que pretende cursar educação física.

Para Eduardo Barbosa, a prova foi fácil. "Não teve muito cálculo, teve mais humanas". De acordo com o estudante, a forma de prova escolhida para o Enem ainda não é a ideal pois "é bom apenas para quem tem dificuldade em exatas".