Um dia depois de ter trocado publicamente farpas com o pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou ontem a fazer críticas ao adversário na disputa pelo Palácio do Planalto. Lula aproveitou a presença em São Paulo – Estado governado pelo tucano até 31 de março – para atacar sua política educacional e também a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso

Sem citar os adversários nominalmente, Lula usou discurso de improviso no lançamento do Programa Jovem Aprendiz para acusá-los de abandono "premeditado" da escola pública. "Vou dar um dado para vocês ficarem surpresos", anunciou ele à platéia, formada na maioria por quase 300 jovens carentes que vão ser beneficiados pelo programa

"Todo o sistema de ensino público no Estado de São Paulo, que é o maior da Federação, tem hoje apenas 18% dos estudantes universitários em escola pública; 82% estão em escolas privadas, em uma demonstração de que foi premeditado o abandono da escola pública neste país.

Antes, o presidente já havia mencionado que em 1998 – durante a gestão de Fernando Henrique – o Ministério da Educação decidiu que o governo federal não ia mais ser o responsável pelo ensino técnico. "Deixou-se de investir em escola técnica", anotou Lula, para, em seguida, destacar que revogou a lei e ainda em 2006 vai inaugurar 32 escolas técnicas. Da mesma forma, disse que "há muito tempo não se fazia universidade" no Brasil.

"E nós, nesses 42 meses de governo, já estamos fazendo quatro universidades federais novas, já transformamos seis faculdades em universidades e estamos fazendo 42 extensões universitárias, todas começando neste ano." Acompanhado do senador Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo paulista, Lula também falou do ProUni, principal programa na área de educação em sua gestão. Citou dados do projeto, sobretudo em São Paulo, reduto de Alckmin.