Poucas horas antes da reunião do Diretório Nacional do PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou um pito nos petistas e, em tom contundente, cobrou apoio ao governo.

No jantar para comemorar os 27 anos do partido, que entrou pela madrugada de sábado, disse que o PT corre o risco de se autodestruir no meio das "pendengas" se não apontar a "metralhadora" em outra direção que não a dos próprios pés. "Não me peçam que o governo entre na disputa ou na briga do PT", avisou.

Num discurso de improviso, Lula esbravejou contra os embates protagonizados até na Esplanada.

"A impressão que eu tenho é que nós gostamos de nos triturar", ironizou. Disse, ainda, que o PT deveria aprender a identificar os inimigos em vez de partir para o confronto com os companheiros.

"Por que a gente não sabe levantar um pouco a metralhadora para atingir nossos inimigos e atiramos tanto nos nossos pés?" "Se a gente levanta a metralhadora na altura do peito, a gente acerta os adversários, mas nós adoramos acertar nós mesmos. É fantástico!".

O presidente citou até uma disputa entre os ministérios da Fazenda e Minas e Energia.

"Eu abro o jornal e vejo a Fazenda pedindo um estudo para a questão energética quando seria mais fácil conversar com o ministro das Minas e Energia", comentou, numa referência a Silas Rondeau, que é do PMDB. "Daqui a pouco eu vejo o ministro das Minas e Energia pedindo um estudo para criticar a política econômica… (…) Fico me perguntando onde nós queremos chegar" disse.

Lula também afagou o PT, ao dizer que todo mundo erra. "Ora, mas quem não comete erros na face da terra e na história?", perguntou.

O presidente deixou claro, nesse momento, que o governo não se envolveria na ruidosa guerra petista, escancarada nos últimos dias com a pressão para as mudanças na economia e o duelo entre o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, e o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que medem força pelo controle do partido.

Na platéia formada por 500 convidados, Dirceu aplaudia entusiasmado e os petistas entenderam que o recado era destinado a Tarso. Do alto do palanque montado para a festa, Lula saudou Dirceu antes mesmo de discursar, chamando-o de "companheiro".

Lula arrancou aplausos dos petistas presentes ao criticar duramente o PFL, um dos principais partidos de oposição. "Eu li que o PFL vai se chamar Partido Democrata. Eu estou quase deixando de ser democrata por causa do PFL", ironizou Lula. "Estou quase dizendo: ‘Eu não sou mais democrata-socialista’. Mas como sou um socialista democrático, eu vou continuar sendo democrático, pois não acredito que o PFL seja democrático.

Em Brasília, o líder do PFL na Câmara, Onyx Lorenzoni (RS), reagiu às declarações do presidente Lula.

"O PFL tem um papel muito importante na atual fase da democracia brasileira, principalmente o de impedir que o presidente Lula, que não é democrata, acompanhe seu colega da Venezuela, Hugo Chávez, e queira fazer um governo chavista, autoritário aqui.