Depois das novas denúncias envolvendo o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, o PT vai amenizar as críticas à política econômica na reunião do Diretório Nacional que começa amanhã e vai até domingo, em São Paulo. A ordem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é cerrar fileiras em apoio a Palocci, na tentativa de blindar o ministro do bombardeio da oposição.

Nos últimos dias, foram riscados dos documentos reservados do PT – produzidos por comissões internas para servirem de subsídio ao programa de Lula à reeleição – os trechos mais ácidos sobre a condução da economia, recheados por críticas às políticas monetária e fiscal. Para não criar mais um foco de incêndio, a cúpula petista jogará para o 13.º Encontro Nacional do PT, em abril, a discussão dos temas polêmicos, como as mudanças desejadas na economia e o leque de alianças para um eventual segundo mandato de Lula.

"O PT continua com a disposição de debater a política econômica, a partir do ponto de vista partidário, e no momento adequado", afirmou o presidente da legenda, deputado Ricardo Berzoini (SP). "O partido não tem obrigação de concordar com tudo o que o governo pensa sobre essa questão, mas, ao mesmo tempo, precisa ter inteligência para tratar o tema com a devida cautela, até para evitar a interpretação comum de que está em choque com a política econômica, o que não é verdade."

Na prática, o diretório do PT vai aprovar no fim de semana apenas uma "resolução sobre conjuntura", na qual os ataques à oposição vão substituir as críticas contundentes à política econômica. A idéia é destacar o que os governistas chamam de "tentativa desesperada" dos tucanos de reaquecer a crise política e criar um clima de instabilidade no País a menos de sete meses da eleição. "O alvo do ataque não é Palocci: é o presidente Lula", resumiu Berzoini.

O secretário de Organização do PT, Romênio Pereira, admitiu que os documentos produzidos sofreram alterações depois que alguns de seus trechos foram revelados pelo Estado, no dia 9 "É natural que o partido do presidente tenha propostas e queira avanços num segundo mandato, para implementar o nosso projeto de desenvolvimento. Mas o receio do governo é que o PT, ao pontuar as críticas, dê munição para as oposições", disse.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, foi na mesma linha. "Só tem um jeito de ter posição unificada no PT: é defender o governo", afirmou. Bernardo é um dos ministros do partido que participarão da reunião do Diretório Nacional. No texto preliminar sobre diretrizes para o programa de Lula à reeleição – escrito pelo assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia -, a defesa de ajustes na economia, com o Banco Central "sintonizado" aos grandes problemas nacionais, é entremeada por uma extensa pregação sobre as conquistas do governo.