Atendendo a um apelo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT decidiu colocar o bloco da reeleição na rua. Na primeira reunião de 2006, a executiva nacional do partido aprovou hoje uma resolução de forte defesa do governo e convocou uma campanha nacional de mobilização da militância e reaproximação com os movimentos sociais. Lula resiste a anunciar a candidatura – planeja fazer isso apenas em junho -, mas cobra do partido que prepare a campanha e reforce a blindagem da administração federal.

"Vamos trabalhar para mobilizar o Brasil, os movimentos sociais, os partidos aliados, para que tenhamos um grande movimento em defesa da reeleição do presidente Lula", afirmou o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), negando pressão para que Lula antecipe o lançamento da candidatura. Integrantes da legenda divergem sobre o momento mais adequado para isso. Para o secretário de Comunicação do partido, Humberto Costa, seria vantajoso para o PT que o presidente faça o anúncio o quanto antes. Ex-ministro da Saúde, Costa se disse "aflito" com a indecisão de Lula.

"O PT precisa dessa candidatura para consolidar seu projeto político histórico e social. Precisamos, inclusive, mobilizar setores da sociedade civil para que se engajem nesse processo porque, até o presente momento, o presidente não tem manifestado uma posição mais clara de que seja candidato", disse "Naturalmente, o PT está aflito com isso." Segundo ele, que esteve reunido com Berzoini e Lula na semana passada, o presidente demonstrou indecisão e "decepção muito grande" em relação aos movimentos sociais.

Na opinião de Lula, os movimentos sociais não reconhecem as realizações do governo, relatou Costa. "Como vou ser candidato se não tenho a mesa base social que tinha em 2002?", teria dito o presidente. "A mobilização será uma pressão saudável para que Lula decida pela reeleição", disse o secretário.

Lula afirmou que não "moveria uma palha" para ser candidato. O desejo do presidente é que o PT pare de brigar com aliados nos Estados e lhe ofereça condições necessárias para o palanque da reeleição, sem que ele precise entrar na linha de tiro dos adversários com antecedência. No que diz respeito às alianças, os petistas adiaram as definições para o encontro nacional, em abril. "As conversas com os partidos já estão sendo agilizadas", resumiu Berzoini. "Não vamos de antemão fechar portas ou escancará-las para nenhum partido." Ele não descarta nem a hipótese de um acordo com o PMDB, que mantém a disposição de lançar candidato próprio.