As prévias para a escolha do candidato do PMDB à Presidência da República estão marcadas para 19 de março, e até agora apenas dois nomes foram inscritos: o ex-governador fluminense Anthony Garotinho e o governador gaúcho Germano Rigotto.

Garotinho deixou o cargo de secretário de Governo do Estado do Rio, ocupado durante todo o ano de 2005, para dedicar tempo integral à campanha junto aos 21 mil delegados do PMDB com direito a voto.

O ex-governador fazia isso há meses viajando por vários estados e mantendo programas de rádio e televisão em rede nacional. Garotinho tem ligações estreitas com religiões evangélicas, pentecostais e neopentecostais, identificando nessa imensa seara de vinte milhões de eleitores em potencial não o único, mas um respaldo espontâneo de sua candidatura.

Na condição de ex-candidato à Presidência, Garotinho usufrui do recall que o coloca no apreciável patamar de 20% das intenções de voto, insinuando-se como alternativa confiável para enfrentar os dianteiros da pesquisa, na hipótese de segundo turno.

Por isso, dá como favas contadas a vitória sobre Germano Rigotto, mas levado pela dialética do bom relacionamento futuro concede-lhe a desculpa do conhecimento restrito e da demora para se inscrever.

A aparente segurança tem base na opção que o ex-governador defenderá na campanha, de ferrenho opositor da atual política econômica, assumindo-se como porta-voz do projeto antineoliberal que o País reclama e ele pretende executar.

O entrave do ex-governador é a visível antipatia que desperta nos quadros históricos do partido.