Brasília – As exportações brasileiras caíram 0,6% de abril a junho, na comparação com o mesmo período do ano passado. O dado, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi um dos principais motivos do crescimento menor do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro para o segundo trimestre de 2006.

O desempenho do setor externo foi o principal responsável pela desaceleração do crescimento do PIB: de 3,3% no primeiro trimestre para 1,2% no segundo trimestre, sempre em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A gerente de Contas Nacionais Trimestrais, Rebecca Palis, atribuiu a redução nas exportações a um conjunto de fatores: a greve da Receita Federal, o menor número de dias úteis no período por causa dos feriados de abril e da paralisação de atividades durante os jogos da Copa do Mundo, além do câmbio que segue desfavorável para os exportadores.

As importações permanecem em crescimento (12,1%) aumentando ainda mais a diferença entre o volume de produtos exportados e importados.

Apesar de uma queda dos investimentos internos e da construção civil, o consumo interno do país determinou o crescimento de 1,2% no PIB. O consumo das famílias cresceu 4%, por causa do avanço na massa salarial real (6,8%) e no volume de crédito para as pessoas físicas (31,8%). Este é o 11º trimestre consecutivo de crescimento no consumo das famílias. O consumo do governo também aumentou 1,8%.

Segundo Rebecca Pallis, "isso deu uma sustentada no PIB, porque por outro lado a gente está tendo essa contribuição negativa do setor externo com um volume de importações crescendo acima da taxa de crescimento do volume exportado".

Pela ótica da produção a indústria foi o setor que apresentou o menor crescimento (0,5%). O setor de serviços teve alta de 1,9% e o agropecuário 1,0%.