São Paulo (AE) – O rádio digital vai estrear domingo no País, ainda em fase de testes. Bem antes da TV digital, discutida há 11 anos. Cerca de 30 emissoras de rádio solicitaram autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e quatro já foram publicadas no Diário Oficial. "Foram autorizados seis meses de testes, que podem ser renovados", afirmou o presidente da Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (Aesp), Edilberto de Paula Ribeiro. Ele destacou que, se tudo correr bem, os testes devem ser convertidos em breve em operação comercial.

Para o ouvinte, não faz diferença se o regime de operação é de testes ou não. O que acontece na prática, a partir de domingo, é a chegada do rádio digital no País. Com a digitalização, a qualidade do AM passa a ser equivalente ao FM analógico e a do FM passa a ser igual a do CD. Além disso, o sistema permite distribuir com o som informações no formato de texto – como autor e intérprete das músicas, previsão do tempo, trânsito e manchetes -, mostradas no visor dos aparelhos.

Ribeiro acredita que em até 30 dias os rádios digitais estarão disponíveis ao consumidor brasileiro. O usuário que não comprar um aparelho novo não vai sentir diferença, porque o sinal analógico continuará a ser transmitido normalmente. Nos Estados Unidos, o modelo para automóveis, com AM, FM e tocador de CDs, custa a partir de US$ 280. "A previsão é que, em um ano e meio, esse preço caia para US$ 150", explicou o presidente da Aesp.

A tecnologia escolhida foi a americana Iboc, sigla de In Band On Channel, que permite transmitir os sinais analógico e digital na mesma faixa, sem a necessidade de alocar novos canais para a digitalização. Segundo Ribeiro, a alternativa européia, chamada Digital Radio Mondiale (DRM), não permitiria transmitir os dois sinais nas faixas existentes, o que aumentaria os custos de implantação, e não funciona no FM. A Iboc já foi adotada nos Estados Unidos, Canadá e México. A Aesp estima que o custo de migração de cada emissora ficará entre US$ 50 mil e US$ 150 mil, dependendo do grau de digitalização existente hoje na produção.

"O rádio brasileiro começa a viver um novo momento", afirmou José Inácio Pizani, presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Existem cerca de 3,2 mil emissoras de rádio em operação no País. O aparelho está presente em 96% dos lares. "Para o AM, será uma revolução." A nova tecnologia deve permitir um renascimento da música na rádio AM.

A participação do rádio no bolo publicitário está em cerca de 6%. "Em 10 anos, podemos chegar a 8% ou 10%", afirmou Pizani. As autorizadas pela Anatel até agora foram a CBN (São Paulo), Tiradentes (Belo Horizonte) e Itapema FM e Rádio Gaúcha (Porto Alegre).