A radiografia da crise não está plenamente revelada, mas começa a esboçar os contornos de algumas figuras preponderantes no tentacular esquema de provisão de fundos devidamente lavados e, ato contínuo, desaguados nas contas milionárias de Marcos Valério e, dessas para a tesouraria petista.

Os depoimentos do doleiro Toninho da Barcelona e o aguardado comparecimento do banqueiro Daniel Dantas à CPMI dos Correios, embora protegido por habeas corpus preventivo, empilham indícios da onipresente ramificação montada nos subterrâneos das instituições.

Foi essa rede que identificou, capturou e distribuiu de forma criminosa o dinheiro para cobrir despesas de campanhas cinematográficas de alguns candidatos e, a posteriori, para garantir maioria de votos no Congresso Nacional.

A contribuição de Barcelona é importante, mesmo sendo ele condenado pela Justiça, pois a trama se desvenda na medida do surgimento de vários outros elos da corrente que abasteceu o estelionato eleitoral.

O dono do Grupo Opportunity, Daniel Dantas, pelo que conseguem farejar os analistas mais argutos, não é outro senão o elo mais poderoso da corrente que, supostamente, fez a transposição de recursos de empresas privatizadas para o fomento da mais abjeta forma de fazer política.