Outros 11 soldados dos EUA foram mortos em combate no Iraque, anunciou nesta quarta-feira (18) o Pentágono, colocando outubro no rumo de ser o mês mais mortífero para as forças americanas no país desde o cerco a Faluja dois anos atrás. O grande aumento de baixas fatais entre os americanos – 70 até agora no mês – é atribuído pelos militares ao Ramadã, mês sagrado muçulmano, e a uma operação de segurança que expôs mais as forças dos EUA em Bagdá e subúrbios. Fiéis muçulmanos crêem que combater uma força estrangeira de ocupação durante o mês sagrado coloca o crente especialmente próximo de Deus.

Enquanto aumenta o número de mortos tanto entre as forças dos EUA quanto os civis iraquianos, que estão sendo dizimados numa média de 43 por dia, o governo dominado pelos xiitas do país vem sendo fortemente pressionado pela administração Bush para reverter a situação. Surgiram nos últimos dias sinais crescentes de tensão entre Washington e o governo do primeiro-ministro Nouri al-Maliki, que sentiu-se na obrigação de pedir numa conversa telefônica com Bush esta semana garantias de que não seria abandonado pelos americanos.

O ministro do Exterior Hoshyar Zebari responsabilizou nesta quarta-feira autoridades americanas que administraram o Iraque antes de seu governo assumir o controle nominal de ter levado o país ao atual estado de caos. "Se nossos amigos tivessem nos escutado, não estaríamos onde estamos hoje", afirmou Zebari. Perguntado a que amigos se referia, Zebari foi direto. "Os americanos, a (Autoridade Provisória de) Coalizão, os britânicos. OK? Se eles tivessem nos ouvido, estaríamos em outra situação, realmente".

Foi uma declaração incomumente dura de Zebari, um curdo, cujo grupo étnico deve muito à intervenção dos EUA no Iraque e por sua virtual autonomia no norte do país. Um matéria publicada nesta quarta-feira pelo britânico Financial Times afirma que a Casa Branca está agora pressionando autoridades iraquianas para conceder anistia a insurgentes sunitas. Isso seria uma surpreendente mudança por parte da administração Bush, que vinha resistindo a qualquer tipo de anistia alegando que ela poderia potencialmente incluir combatentes que têm as mãos sujas de sangue de soldados americanos.

Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado, Tom Casey, disse que cabe ao governo iraquiano decidir sobre uma anistia. "Não descreveria nossa posição como pressionando-os para fazer isso agora, ou em qualquer momento em particular, exceto num ponto quando sentirem que seu processo de reconciliação nacional passou pelos degraus apropriados e eles estão prontos para seguirem adiante com ele", disse Casey

A impopular guerra do Iraque e o crescente número de soldados dos EUA mortos tem pesado nas intenções de votos dos americanos para as eleições congressuais de novembro, com o Partido Republicano, de Bush, correndo sério risco de perder a maioria na casa. A última morte de americano no Iraque ocorreu nesta quarta-feira, quando um soldado foi morto por disparos de armas leves quando fazia uma patrulha no sul de Bagdá.

Mais cedo, o comando militar dos Estados Unidos havia confirmado a morte de nove soldados e de um fuzileiro naval em episódios de violência ocorridos na terça-feira. Com uma média de quatro soldados americanos mortos por dia, outubro caminha a passos largos para ser um dos piores meses para os EUA desde a invasão do Iraque, há pouco mais de três anos e meio, em termos de baixas por morte.

Se as mortes de americanos no Iraque continuarem nesse ritmo, os números de outubro certamente superarão os de novembro de 2004, quando 137 militares morreram em Faluja, sendo que 126 deles em combates. De acordo com uma contagem, outubro também está sendo um dos piores meses para a população local desde abril do ano passado, quando começou-se a contabilizar as mortes de iraquianos. Neste mês até agora, 767 iraquianos morreram em incidentes relacionados com a guerra.