A inflação medida na capital paulista na terceira quadrissemana de janeiro, de 0,72%, surpreendeu o coordenador do IPC-Fipe, Paulo Picchetti. De acordo com ele, a principal novidade veio do grupo alimentação, que subiu 0,47% no período.

Dentro deste grupo, os preços dos produtos in natura passaram de estabilidade no segundo levantamento de janeiro para uma alta de 1,07% na terceira quadrissemana. Desde a segunda quadrissemana de setembro de 2004, este conjunto de produtos apresenta deflação. Na avaliação do coordenador, este movimento é atribuído ao período de chuvas e, portanto, trata-se de um problema de oferta. Ainda dentro de alimentação, os industrializados subiram 0,52%, os semi-elaborados tiveram deflação de 0,23% e alimentação fora do domicílio, alta de 1 17%.

Também contribuiu para que o IPC viesse mais alto na terceira pesquisa da Fipe o aumento das passagens de ônibus que saem da Capital paulista. Segundo cálculos de Picchetti, desde o último dia 24, essas tarifas subiram em média 15,22%, o que representa um impacto de 0,01 ponto porcentual no IPC de janeiro (que só será detectado na última semana do mês) e 0,05 ponto porcentual na inflação de fevereiro.

Somando todos os aumentos relacionados a passagens (ônibus intermunicipal, interurbano, integração, trem e metrô), a contribuição para o IPC deste mês é de 0,10 ponto porcentual.

Picchetti salientou que sua projeção de aumento médio das matrículas escolares, de 7%, no lugar dos 10% previstos inicialmente, não foi suficiente para compensar estes aumentos das passagens. Para fevereiro, estas tarifas devem novamente responder por 0,10 ponto porcentual do IPC, distribuído da seguinte maneira: ônibus interurbano (0,05 pp), ônibus intermunicipal (0,04 pp), metrô (0,04) e integração (0,01 pp).

Do lado das boas notícias, Picchetti destacou a deflação de 1,71% nos preços do álcool combustível. No ano passado, este produto recebeu reajuste de 28%. Na conta ao consumidor, o preço da gasolina recua 1%.