Em reunião, nesta sexta-feira, com os líderes do governo, Arlindo Chinaglia (SP), do PT, Henrique Fontana (RS), e do PSB na Câmara, Renato Casagrande (ES), o candidato a presidente da Casa Aldo Rebelo (PC do B-SP) acertou a estratégia de olho em dois desafios: obter o apoio de outros partidos da base aliada e evitar que a vinculação com a administração federal seja um fator desagregador.

Rebelo passará o fim de semana em articulações, falando ao telefone com líderes e parlamentares de todas as legendas. "Aldo não é candidato de governo; é um candidato que vai buscar apoio da base aliada", disse Casagrande. Mas não é o que afirma o líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA), para quem a marca governista está colada à candidatura do deputado do PC do B de São Paulo.

Além de destacar o fato de Rebelo ter sido chefe da extinta Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais da Presidência da República, Aleluia lembrou que ele é também testemunha de defesa do deputado José Dirceu (PT-SP) no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa. "Apesar de qualificado e ser uma pessoa de respeito, as circunstâncias não favorecem sua candidatura", afirmou.

Para o líder da minoria da Câmara, o lançamento do nome de Rebelo significa que o "governo resolveu, finalmente, explicitar o nome de seu candidato à presidência da Câmara e Lula deixou claro que ‘basta de intermediários’, ao pedir ao PT que fechasse com Rebelo".

Enquanto o candidato do PC do B de São Paulo reunia-se com o núcleo de apoio, os candidatos a presidente Michel Temer (PMDB-SP) e José Thomaz Nonô (PFL-AL), presidente interino da Câmara, faziam, por telefone, a primeira conversa sobre a mudança no quadro, com o lançamento da candidatura de Rebelo.

Os pefelistas trabalham com a expectativa de obter votos no grupo político de Temer, sobretudo, depois que o nome dele foi vetado pelo PT e pelo Poder Executivo, que não avalizaram a candidatura. "Foi um veto explícito. Agora, temos uma candidatura de alguém que pretende trabalhar com independência (Nonô) e outra de alguém que quer a submissão ao governo", afirmou Aleluia. Mas não é apenas o PFL que está em busca dos votos do PMDB, a segunda maior bancada da Casa.

Um dos objetivos discutidos, nesta sexta-feira, pelo candidato do PC do B de São Paulo a presidente é tentar consolidar o apoio integral dos peemedebistas, uma vez que deve contar, por enquanto, com os votos da ala governista, comandada pelo deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE) e pelo presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ligados a Rebelo.

Dificilmente, o PMDB se reunificará em torno de um candidato. Fontana disse que há sinais de apoio da sigla. "Vamos atrás dos votos do PMDB e o nome de Aldo Rebelo tem mais potencial de trazer peemedebistas", afirmou. Até o momento, PL, PTB e PP – outras agremiações da base aliada – estão com candidatos próprios à presidência da Câmara.