O presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo (PCdoB) irá propor em setembro ao colégio de lideres a votação aberta para a cassação dos parlamentares envolvidos na CPI da Sanguessuga. Rebelo explica que para a alteração do voto secreto será necessário uma emenda constitucional. O quorum mínimo seria de 308 votantes. Conforme ele, a mudança ocorreria "somente para esse caso específico da votação da perda do mandato", disse o deputado,em campanha a reeleição em Campinas, interior de São Paulo.

Outra alteração que pode acontecer já na próxima semana, após reunião entre a presidência e a mesa diretora,diz respeito ao prazo defesa do parlamentar que passaria da atual cinco sessões para cinco dias úteis. O deputado justifica o procedimento pela dificuldade da casa alcançar quorum em período eleitoral. "Não quero que a falta de sessões seja uma razão para obstruir o processo", argumenta.

O deputado avalia como grave a situação dos 69 deputados e que a Câmara deve apurar com rigor. "Não devem (os deputados) esquecer que são investigados também pelo Ministério Público e pela Policia Federal". Questionado quanto a freqüência dos parlamentares denunciados pela CPI, Aldo disse que os acusados poderão participar das sessões. "A casa não pode ferir nenhum dos direitos", lembrou.

Para o deputado, a convivência entre acusados e acusadores será abreviada a partir da apuração mais rápida das investigações, com impedimentos de manobras ou recursos de obstrução do andamento do processo."Vamos falar com o corregedor da Camara, na terça-feira, para convocar uma reunião na comissão de sindicância e também com o conselho de ética para adotar instrumentos necessários aos trabalho".

Para evitar outros mensalões e sanguessugas, o deputado acha que será necessário a adoção da reforma política. "Pelo menos duas medidas são quase consenso na Camara: o voto na lista partidária e o financiamento público de campanha". Outra forma, segundo ele "é a possibilidade do eleitor reciclar, atualizar e renovar o poder legislativo".