Londres – Embora já fosse esperado, o anúncio pelo Tesouro brasileiro da recompra dos títulos Bradies foi recebido positivamente pelos investidores estrangeiros e poderá se refletir numa maior valorização dos ativos do País após ser completamente digerido pelos mercados.

Analistas europeus observam que além de melhorar o perfil da dívida brasileira, reduzindo as obrigações de curto prazo, a recompra reforça a expectativa de que a classificação do risco Brasil será elevada neste ano, seguindo a trajetória rumo ao "grau de investimento aspirada pelo governo brasileiro.

A diretora do fundo Insigh Investments, Ingrid Iversen, observou que a recompra dos Bradies não deve ter por si só um impacto positivo sobre os preços dos títulos. "Como será pago o preço par, o impacto desse lado é limitado", disse Iversen à Agência Estado. "O principal fator positivo é que o governo brasileiro dá mais um passo na redução de sua dívida, melhorando seu perfil e isso terá um efeito positivo sobre os ativos do País."

Iversen não acredita que a recompra, cujos recursos sairão das reservas, deverá alterar as expectativas com o comportamento do câmbio. "O volume em questão é relativamente pequeno e não deve afetar substancialmente as apostas no real."

O estrategista de um banco espanhol observou que embora fosse prevista, a recompra dos Bradies confirma a estratégia do Tesouro de levar o País ao grau de investimento. "Há tempos o pessoal do Tesouro vem deixando claro em seus contatos com investidores que a redução da dívida é uma prioridade e que os upgrades do País estão a caminho, talvez um pouco atrasados por causa da eleição presidencial", disse. "Esse passo anunciado hoje confirma novamente essa estratégia, o que agrada muitos os mercados. Mais uma boa notícia do Brasil."