O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ser criticado por não ter tomado atitude drástica em relação aos ?companheiros? petistas envolvidos nas denúncias do mensalão e, até, de certa inapetência quanto ao desempenho da função de administrar.

Todavia, ninguém pode afirmar que Lula está liquidado do ponto de vista eleitoral. Aliás, foram inúmeras as análises mostrando a incolumidade do presidente aos sérios danos sofridos pelo Partido dos Trabalhadores e algumas de suas figuras mais representativas, como os ex-deputados José Dirceu e José Genoino, o primeiro cassado e o outro defenestrado da presidência do partido por total irresponsabilidade com a economia doméstica da agremiação.

A última pesquisa do Instituto Datafolha, publicada no final da semana, mostra a recuperação lenta e firme do prestígio popular de Lula. Ele ainda perderia para José Serra nos dois turnos, se a eleição fosse hoje, mas com desempenho melhor que o registrado em dezembro. Na ocasião, Serra ganharia de Lula por 50% a 36% no segundo turno, e na pesquisa atual os índices caíram para 49% a 41%. O Datafolha diz que no primeiro turno haveria empate técnico de 34% a 33%, com o ponto percentual a favor do prefeito paulistano.

Caso a disputa seja com o governador Geraldo Alckmin ou Anthony Garotinho, a vantagem de Lula é folgada nos dois turnos.

Muita água vai passar debaixo da ponte e como o presidente tem prazo até junho para anunciar a candidatura, embora todos saibam que já está em campanha, Lula vai costurar as alianças que lhe restam, jejuando pela queda definitiva da verticalização.