O Comitê Consultivo do Programa Regional de Apoio à Rede de Desenvolvimento de Plantas Medicinais no Brasil, que integra os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, foi implantado hoje.

Instituído em maio deste ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o grupo terá o papel de acompanhar, subsidiar e apoiar as atividades do Comitê Gestor do Programa, que envolve os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e é aprovado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).

A portaria de criação do comitê que oficializa a medicina popular nos estados do Sul do país foi assinada pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, em solenidade na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.

"O comitê é uma forma de organização das iniciativas referentes ao desenvolvimento de plantas medicinais e fitoterápicos, e um instrumento de auxílio da construção de políticas públicas", afirmou o ministro. Na solenidade, ele anunciou também a liberação de R$ 2,5 milhões para financiar a cadeia produtiva do setor, "abrindo a agenda para potencializar programas que estão sendo geridos por nossas instituições".

Durante o VII Seminário Estadual do Fórum Pela Vida ? Projeto Plantas Vivas, o ministro destacou a necessidade de reconhecimento do valor estratégico da biodiversidade brasileira. "Temos uma enorme responsabilidade com este patrimônio, para com nosso povo e para com a humanidade", afirmou Rossetto.

Ele garantiu que todos os programas desenvolvidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário já estão capacitados a receber projetos de fabricação de medicamentos fitoterápicos e plantas medicinais. "Devemos recusar a visão predatória e monopolizadora, reconhecer a idéia do saber popular e respeitar a diversidade étnica, cultural e social do nosso povo".

Segundo a coordenadora do seminário, deputada Jussara Cony (PCdoB), o objetivo do seminário é debater experiências municipais e regionais com plantas medicinais em andamento no Rio Grande do Sul, procurando integrá-las com as políticas públicas originárias do governo federal, com vistas à implantação da Cadeia Produtiva de Plantas Medicinais e da Fitoterapia no Sistema Único de Saúde (SUS).

"O Fórum Pela Vida busca resgatar conhecimentos populares sobre o uso de plantas e medicamentos e como os projetos desenvolvidos neste setor podem contribuir para melhorar a vida da população", explicou a deputada.

Entre as experiências apresentadas no evento pelas regionais do Fórum Pela Vida, estão pesquisas feitas em diversas universidades com o uso de plantas medicinais na produção de remédios e cosméticos. A Universidade de Ijuí, na região norte gaúcha, por exemplo, apresentou as potencialidades do uso da calêndula, "cujas flores e folhas têm grande poder cicatrizante, com possibilidade de, no futuro, servir para combater o desenvolvimento do vírus do HIV".