Brasília ? A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) só conseguirá reduzir a fome no mundo se elaborar uma política de reforma agrária, na avaliação do vice-presidente da vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alberto Ercílio Broch.

"A FAO tem como missão discutir a fome no mundo. Inclusive uma de suas metas é acabar com a fome, pelo menos pela metade, nos próximos 20 anos, o que já é uma falácia. Ela não está atingindo e não vai atingir nunca se não se coloca em discussão a questão da terra, do território, da água", afirmou Alberto em entrevista à Agência Brasil .

A FAO realiza em Porto Alegre, dos dias 6 a 10 de março, a 2ª Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (CIRADR). Desde 1979 ? quando foi realizado o último encontro em Roma, na Itália ? o tema não é discutido. O vice-presidente da Contag disse que a Conferência "terá uma importância muito grande para mobilizar a agenda internacional sobre o tema". "Mas não vamos nos iludir que essa conferência, por si só, vai fazer com que a reforma agrária aconteça no mundo", afirmou Broch.

O vice-presidente da Contag também destacou que o conceito de reforma agrária é amplo. "É ligado à soberania alimentar, a um processo de desenvolvimento sustentável, de acesso aos recursos naturais. Envolve também uma discussão sobre políticas públicas, de acesso a mercados", disse.

Segundo Broch, a Contag reconhece que houve avanços na reforma agrária no Brasil no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principalmente na qualidade dos assentamentos. "Porém, ao reconhecermos isso, temos uma forte crítica, porque achamos que o governo tinha que ter avançado muito mais nesse processo de distribuição de terra".