Brasília – O processo de queda das taxas de juros, associado à menor oferta pelo Tesouro Nacional de papéis corrigidos pela variação da taxa Selic, as LFTs, deverá afetar a rentabilidade dos fundos de investimentos. Os gestores de fundos terão de adotar uma postura mais agressiva na busca de alternativas atrativas, de forma a reduzir essa perda de rendimento que acontecerá, principalmente nas aplicações nos chamados fundos DI, que têm rentabilidade variando de acordo com a Selic. Esse cenário só está sendo definido porque o Tesouro decidiu reduzir a parcela da sua dívida que é corrigida pela taxa Selic. Hoje, essa fatia é de 52%.

Segundo o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, José Antônio Gragnani, esse movimento de alteração da composição da dívida vem sendo anunciado desde 2003. "Com a melhora consistente dos indicadores econômicos-financeiros, está sendo possível ampliar a velocidade de redução das LFTs", afirmou. Ele negou que a menor oferta de LFTs esteja forçando uma "queda de braço" com o mercado. "Estamos em um período de transição. O mercado vem absorvendo bem a colocação de títulos prefixados e indexados ao IPCA, e o alongamento dos prazos."

O secretário disse que está "absolutamente seguro" da agilidade e capacidade de avaliação da indústria de fundos para adequar os seus produtos à nova realidade de redução da oferta de papéis atrelados à Selic. "Existem movimentos para a criação de fundos com perfis diferentes e abordando novos referenciais e, inclusive, com cláusulas de carência de resgate", disse Gragnani

Depois de diminuir gradativamente a oferta das LFTs nos últimos meses, o Tesouro anunciou que não vai fazer nenhum leilão de venda do papel ao longo de fevereiro. Desde agosto do ano passado, o Tesouro começou a dar sinais da mudança em curso da estratégia adotada para o financiamento da dívida. Primeiro, foram reduzidos os volumes das ofertas, depois a quantidade mensal de leilões. Em janeiro, as LFTs foram ofertadas pelo Tesouro em apenas uma ocasião. Na outra ponta, aumentou o volume e o número de leilões de venda de NTN-B (papéis atrelados ao IPCA).

Sem uma oferta maior de LFTs garantida pelo Tesouro, quem tem LFTs não está querendo se desfazer do papel, nos leilões de recompra antecipada feitos pelo Tesouro. Por isso, foi baixo o volume de recompra que o Tesouro Nacional efetuou no primeiro leilão desta semana. Além disso, tem caído o volume de negociações diárias desse papel no mercado secundário. A perda de rentabilidade da LFTs com o início da queda de juros também está movimentando os fundos de pensão. Atualmente, essas entidades possuem uma parcela expressiva de LFTs, embora tenham em sua maioria um passivo atrelado a algum índice de preço.

Como o prazo de vencimento das LFTs dos fundos é bastante curto, e com a redução da oferta desses títulos pelo Tesouro, será mais difícil para os administradores continuarem com essa estratégia. "A tendência ainda é de redução dos atuais prêmios. Quem continuar aguardando para migrar poderá ter impactos negativos na rentabilidade futura", alertou Gragnani.