Para discutir estratégias de implantação da Política Estadual de Saúde Mental, a Secretaria da Saúde promoveu no último final de semana o Primeiro Seminário Macrorregional de Saúde Mental Construindo a Rede de Atenção à Saúde Mental. O encontro ocorreu no Centro Regional de Eventos de Pato Branco, numa parceria entre o Conselho Estadual de Saúde do Paraná, o Pólo Ampliado de Educação Permanente Centro-Sul da 5a e 7a Regionais de Saúde e a Coordenação Estadual e Regional de Saúde.

Este foi o primeiro de seis seminários regionais de saúde mental para a implantação da reforma psiquiátrica no Estado, mediante a reestruturação da rede de atenção à saúde mental. Participaram representantes de 35 municípios do Paraná, sendo 15 da microrregião de Pato Branco e 20 da de Guarapuava. Outros encontros serão realizados em Curitiba, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa, Londrina e Maringá.

Segundo a coordenadora de Saúde Mental da Secretaria da Saúde, Cleuse Brandão Barleta, a reforma psiquiátrica está realizando mudanças nas políticas públicas de saúde mental. ?Está havendo a transição do modelo assistencial baseado no hospital psiquiátrico para um modelo fora do hospital de base comunitária de atenção psicossocial que exige ampla discussão na sociedade sobre esse tema?, observa.

Cleuse Barleta cita dados atuais do Ministério da Saúde que mostram que 12% da população brasileira precisa de algum atendimento em saúde mental, contínuo ou eventual. Destes, 6% apresentam transtornos psiquiátricos graves resultantes do uso de álcool e de outras drogas. E 3% sofrem de transtornos mentais severos e persistentes. ?Hoje, a depressão grave é a principal causa de incapacitação em todo o mundo e situa-se em quarto lugar entre as dez causas principais de carga patológica mundial?, afirma.

A Federação Mundial de Saúde Mental estima que entre 10 e 20% da população de crianças e adolescentes sofre de transtornos mentais, sendo que entre 3 e 4% precisam de tratamento intensivo. No Paraná, mais de 38 mil pessoas apresentam doença mental instalada (casos crônicos).

Segundo Cleuse Barleta, a Política Estadual de Saúde Mental segue os princípios e as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) e respeita as diretrizes da reforma psiquiátrica de inclusão social e de habilitação da sociedade para conviver com a diferença. Ela garante os direitos das pessoas com transtornos mentais e prioriza a construção de uma rede de atenção integral em saúde mental. Cada município deve desenvolver o seu programa de saúde mental, tendo em sua estrutura uma equipe de saúde mental e uma rede de serviços de referência, que pode ser local ou regionalizada.