O deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) defendeu hoje (7) a prorrogação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. Serraglio, que é relator da CPMI, quer investigar a denúncia contra seu próprio partido. Na edição deste final de semana, a revista Veja publicou reportagem afirma que 55 dos 81 deputados do PMDB teriam recebido "mensalão" ? sistema em que, segundo o deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ), o governo compraria votos no Congresso Nacional. O prazo da comissão termina no dia 15 de abril.

"Acho que esses fatos novos precisam ser investigados e não há porque fugirmos disso. Única alternativa possível é prorrogando", afirmou o deputado. Se forem prorrogados os trabalhos, Serraglio não quer mais ser o relator. "Se eu falar que não quero prorrogação vão falar que eu estou protegendo. Eu não quero proteger ninguém, nunca protegi ninguém. Sou a favor de procedimentos de investigação. Ou prorrogação ou criação de CPI nova", ressaltou.

Serraglio disse ainda que um requerimento de prorrogação deveria conter o que a CPI deverá investigar no período determinado, citando, por exemplo, Furnas, Itaipu e PMDB. "Não temos competência clara para isso", observou. De acordo com denúncias publicadas pela imprensa neste final de semana, o diretor-geral da empresa no Brasil, Jorge Samek teria cobrado propina de US$ 6 milhões para perdoar uma dívida de US$ 200 milhões da empresa Voith Siemens. Em nota, a binacional negou as afirmações.

Para prorrogar uma CPI são necessárias as assinaturas de 171 deputados e 27 senadores. O líder do PFL, senador Agripino Maia (RN), disse que o partido pretende começar a recolher as assinaturas para extensão dos trabalhos.