O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), disse há pouco acreditar que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, não sabia das denúncias de corrupção que envolvem o PT e membros do governo federal. Renan disse que, ao mesmo tempo, torce pela inocência do presidente. "Neste momento, é preciso muito equilíbrio e responsabilidade do Congresso na condução da crise" afirmou o senador, que participou de um seminário sobre segurança jurídica na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Na avaliação de Renan, não há provas cabais contra Lula, nem maioria congressual e nem chancela da sociedade, para a abertura de um processo de impeachment. "Não entendo que convivamos com esses requisitos, mas isso não quer dizer que não contaremos com eles mais para o futuro", disse ele, ressaltando que o impeachment não é bom para ninguém.

De acordo com o presidente do Congresso, o PMDB tem compromissos com a governabilidade, mas isso não significa que o partido dificultará as investigações das CPIs. "Faremos o que for preciso e puniremos quem for culpado", ressaltou.

O senador afirmou também que o presidente Lula não pode perder a oportunidade de vir a público novamente para falar à nação de forma mais afirmativa, explicando melhor os fatos que envolvem o governo e o PT. "Lula deve falar novamente." Fez, no entanto, uma ressalva. Segundo ele, a crise tem se agravado a olhos vistos dia a dia, e fatos novos se sobrepõem uns aos outros. "Daí, a dificuldade de o presidente fazer o discurso definitivo e afirmativo, como queríamos." Renan reiterou que o trabalho de investigação do Congresso está imune e vacinado contra manobras que queiram evitar as investigações e as punições futuras dos comprovadamente envolvidos.

O presidente do Senado defendeu a votação da reforma política na Câmara – já votada há três anos no Senado – antes das próximas eleições. Segundo ele, se a lei que rege as campanhas for a mesma em 2006, "veremos os mesmos fatos que indignam a sociedade se repetirem". De acordo com Renan, o ataque ao financiamento e aos altos custos da campanha vai acabar com "prática repugnável de alguns partidos". Questionado se essa frase era dirigida ao PT, ele respondeu que suas palavras eram uma crítica ao sistema político nacional.