Durante a entrega de kits para instalação de viveiros que fazem parte do programa de preservação da mata ciliar, o governador Roberto Requião ressaltou a necessidade de “jogar duro contra os grupos predadores” ao mesmo tempo em que os programas de recuperação são implementados. “Esta política de preservação deve ser uma política extremamente severa. Porque ao tempo em que iniciamos a recuperação da mata ciliar, surge na Assembléia Legislativa projeto de lei para trocar a Serra do Mar pela derrubada do pouco que resta em outras regiões do Estado”, criticou, nesta terça-feira.

Requião condenou a flexibilização da legislação e salientou que o trabalho de recuperação será acompanhado da fiscalização rigorosa de grupos que vão de palmiteiros aos madereiros que “saem da linha”. “Politicamente pode não parecer interessante ? em razão do financiamento de campanha ou de alguns votos que apoio a política predatória pode trazer ? mas é dessa forma que vamos assegurar o futuro do Estado e é desta forma que o planeta pode assegurar a manutenção da espécie humana”, disse.

Ao todo, 203 municípios do Estado receberam os kits. O evento faz parte das comemorações do Dia da Árvore aliado ao Programa Estadual de Mata Ciliar, que tem como meta o plantio de 90 milhões de árvores até o fim de 2006. O objetivo é que os municípios beneficiados produzam 100 mil mudas de espécies nativas por ano. Outros 105 municípios que já possuem viveiros receberão embalagens para produção de mudas e sementes. Estes municípios deverão produzir, até final de 2006, 54 milhões de mudas nativas. Para esta fase foram investidos R$ 2,5 milhões do Fundo Estadual do Meio Ambiente (Fema) para aquisição dos viveiros, ao custo de R$ 10 mil cada unidade.

O secretário do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, apresentou dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário que comprovam que para cada quilo de grão produzido no Paraná perde-se em média 10 quilos de solo. “A natureza leva 500 anos para compor um centímetro de solo e durante muitos anos o produtor foi incentivado a retirar a mata ciliar para fazer o plantio. Agora a Secretaria do Meio Ambiente está trabalhando no sentido contrário, pedindo aos agricultores que respeitem a faixa da mata ciliar exigida pela legislação”, disse.

Para o secretário, a descentralização do programa de Mata Ciliar é a forma mais inteligente de alcançar a meta de plantio até 2006, porque municípios passam a produzir mudas para recuperar a margem dos rios e mananciais de abastecimento.
Cheida afirmou ainda que a Secretaria está trabalhando em projeto de seqüestro de carbono com base no Programa de Mata Ciliar. A idéia é viabilizar um projeto que proporcione aos agricultores formas de comercializar o carbono gerado a partir do reflorestamento. “Com o protocolo de Kyoto assinado, o Paraná sairá na frente na comercialização de créditos provindos da mata ciliar”, avaliou.