Durante sua posse, o governador reeleito no Paraná, Roberto Requião (PMDB) dedicou o discurso a Cláudio Lembo (PFL), que nesta segunda-feira (1.º) entrega o cargo de governador de São Paulo ao eleito José Serra (PSDB). "Um político que surpreendeu com a capacidade de dizer o que pensa e demonstrar com clareza sua sensibilidade social", declarou Requião sobre o político paulista. O governador do Paraná também se denominou tanto de esquerda quanto o presidente da Venezuela, Hugo Chávez e foi até colocado como futuro candidato à Presidência da República, pelo vice-governador Orlando Pessuti (PMDB).

Em um discurso agressivo, na manhã de ontem, na Assembléia Legislativa do Paraná, Requião também declarou que fará um "governo de esquerda". O governador reeleito disse que optou pelo "lado dos mais pobres, dos trabalhadores, dos pequenos, dos agricultores familiares, do fortalecimento das políticas públicas de saúde, educação e da segurança". "O nosso lado é o lado do povo", afirmou.

Segundo ele, há pessoas que "torce o nariz" quando algum governo declara isso. "E lá vem essa conversa toda de populismo, do horror a um Hugo Chavez (presidente da Venezuela), a um Evo Morales (presidente da Bolívia), a um Rafael Correa (presidente do Equador), a qualquer um enfim, que se oponha ao consenso de Washington, aos ditames do FMI, às receitas do neoliberalismo, à ação sem freio do mercado.

Centrismo

Segundo ele, nos próximos quatro anos será "radicalizada" a opção por governar para o povo. "E não é um governo de centro-esquerda, não. Não venham com centrismo, com esse equilibrismo. Somos sim um governo de esquerda. E que a má interpretação ou a distorção daquilo que disse o presidente Lula não sirva de pretexto para que alguns neguem o lado em que nos posicionamos", acrescentou.

Quando o entusiasmado, o vice-governador Orlando Pessuti (PMDB), lançou Requião como candidato à Presidência da República, dizendo que será realizado um governo "para colocar o Paraná no caminho da política nacional", Requião disse que a proposta pode "parecer interessante, mas atrapalha um governo". "O fundamental é a concentração absoluta de todos nós nos objetivos comprometidos com o governo do Paraná", ressaltou.

"A Presidência da República fica com o Lula, e nós esperamos que ele faça um governo excepcional". E novamente Requião citou o ex-governador paulista. "Como diria o melhor…como disse o imprevisível e extraordinário conservador brasileiro Cláudio Lembo: não fosse o Lula na Presidência da República, com este vezo de acentuadas políticas sociais, nós veríamos dentro de muito breve um grande conflito social eclodir no País", disse.