O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), renovou hoje seu apelo para que os agricultores paranaenses não plantem soja transgênica. “Espero que os agricultores do Paraná, inteligentes, pensando no futuro, capazes de raciocinar no médio e longo prazo, não entrem nessa aventura”, disse durante a Festa do Plantio, em Maringá, no norte do Paraná.

“Teremos uma soja diferenciada, pura, com mercado aberto no mundo inteiro e com preço muito melhor que o da transgênica.” A proibição de embarque de carga com organismos geneticamente modificados (OGMs) no Porto de Paranaguá continua em vigor.

De acordo com a avaliação do governo, a edição da Medida Provisória 223, que autoriza cultivo e plantio de soja transgênica na safra 2004/05, não terá eficácia no Paraná, por ela só permitir a utilização de semente própria. Como no Paraná foram poucos os agricultores que assinaram o Termo de Compromisso, Responsabilidade e Ajustamento de Conduta no ano passado, teoricamente somente esses teriam condições de renovar o plantio.

“A MP reproduz a anterior e não altera nada porque autoriza o plantio por aqueles produtores que já estavam plantando, para eles não perderem as sementes. Isto não funciona aqui, só no Rio Grande do Sul”, disse Requião.

O governador disse não acreditar que sejam muitos os agricultores interessados em plantar transgênico no Paraná. “Os interessados em propagar a transgenia simularam um número ao pedir aos produtores para apresentar o termo de ajuste de conduta e muita gente que não plantava foi levada a fazer isso”, acentuou. “Pedimos ao Ministério da Agricultura para nos dar a relação para segregar o que fosse transgênico, como previsto pela legislação, e não recebemos essa lista.”

O governador também culpou os meios de comunicação pela celeuma criada em torno da produção transgênica. “Qual é a canalhice maior disso tudo? Liga o rádio, liga a TV, olha a manchete dos jornais: Liberada a soja transgênica no Brasil. É mentira, é mentira”, vociferou. “É uma jogada da mídia controlada para introduzir à força a soja, criar uma situação como a do Rio Grande do Sul. Como o Lula vai resolver o problema do Rio Grande do Sul? Não tem como resolver. Ele não pode queimar a soja, por isso vão continuar plantando.”

Fiscalização

O diretor do Departamento de Fiscalização da Secretaria de Estado da Agricultura, Felisberto Baptista, disse que o trabalho será “rigoroso” tanto na análise do comércio de sementes e de grãos quanto no transporte de cargas e nas lavouras. Aquelas que estiverem irregulares serão interditadas, garantiu. “O que está sendo liberado é o plantio de uma variedade de semente que pressupõe a venda casada de um veneno (glifosato) que não tem registro para comercialização e utilização no Ministério da Agricultura, para essa finalidade, e isso é uma incoerência”, afirmou Baptista.