Embrapa Suínos e Aves, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, está estudando a transformação de resíduos de abatedouros em biodiesel. A proposta é aproveitar a gordura de suínos e aves, hoje encaminhada principalmente a empresas que produzem farinha para ração animal, para gerar combustível destinado ao aquecimento de sistemas das duas produções. ?Nossa preocupação é contribuir para a sustentabilidade da cadeia produtiva. Por isso, propomos que o biodiesel extraído da gordura animal seja aproveitado para diminuir o custo de produção dos produtores e agroindústrias?, explica a pesquisadora Martha Higarashi.

A busca por combustíveis alternativos ao petróleo se transformou nos últimos anos em objetivo comum de centros de pesquisa em todo o mundo. O Brasil é um dos países com mais resultados nesta área e utiliza há décadas o álcool combustível em automóveis. O biodiesel, nome genérico dado a combustíveis e aditivos derivados de fontes renováveis, como óleos vegetais e gorduras animais, é uma aposta para o futuro em duas direções. Uma delas visa minimizar o impacto da redução na oferta do petróleo sobre a economia. A segunda é ambiental, já que o biodiesel é bem menos poluente.

Por enquanto, o uso do biodiesel é opcional. Mas no futuro, passará a ser obrigatório. A partir de janeiro de 2008, todo o diesel comercializado no Brasil deverá conter 2% de biodiesel. O percentual subirá para 5% em 2013. Apenas com a mistura de 2%, a demanda anual será de 800 mil toneladas de biodiesel. Hoje, a produção brasileira chega a apenas 20 mil toneladas. É com este mercado promissor e com a demanda por novas tecnologias que a Embrapa Suínos e Aves pretende contribuir. ?Como existe o risco de restrições quanto ao uso da gordura animal no fabrico de ração, a produção de biodiesel passa a ser uma alternativa viável para dar um destino correto a este resíduo?, afirma Martha Higarashi.

O projeto que transformará gordura animal em biodiesel é liderado pelo pesquisador Paulo Abreu e tem a participação, além de Martha Higarashi, de Cláudio Bellaver, Anildo Cunha Júnior, Airton Kunz, Valéria Abreu, Paulo Armando de Oliveira e Arlei Coldebella, todos da Embrapa Suínos e Aves.