O restaurante comunitário Prato Popular, inaugurado há mais de uma semana pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria Especial de Relações com a Comunidade, em parceria com as empresas Puras, Estação Embratel Convetion Center, Spaipa S/A e Coca-Cola Brasil, já conta com 290 pessoas de baixa renda cadastradas que podem almoçar no local, ao preço de R$ 1,00.

O secretario Milton Buabssi diz sentir-se realizado ao perceber, na prática, a utilidade do restaurante. ?Este projeto é mais uma maneira do Governo estreitar seus laços com quem realmente precisa. O restaurante comunitário é um projeto, em parceria com empresas privadas, que tem tudo para dar certo e se expandir para outras cidades paranaenses?, afirmou ele.

Um exemplo é o aposentado João Ferreira Batista, de 72 anos, que realiza pequenos serviços no Centro da cidade para ajudar no orçamento em casa, e está almoçando no Prato Popular desde o primeiro de funcionamento. ?Este restaurante é mesmo uma dádiva. Além da refeição custar apenas R$ 1,00, a gente pode repetir e não precisa pagar o refrigerante?, declarou.

Situação semelhante é a do guardador de carros Élio Argemiro Rodrigues, de 28 anos, que mora no município de Almirante Tamandaré e trabalha, de segunda a sexta-feira, das 6h30 às 23h30, nas proximidades da Praça Santos Andrade em Curitiba. Élio fez o cadastro no restaurante Comunitário e começou almoçar nesta semana. ?Na semana passada eu almoçava em um lugar que, além ser mais caro, eu tinha que pagar a carne e o refrigerante à parte. No meio da tarde eu já estava com fome. Com o que a gente ganha não dá para pagar duas refeições no dia. Mas agora é diferente, depois de um almoço desses dá para esperar tranqüilamente o jantar em casa?, contou Elio.

Bom humor

A analista de Recursos Humanos da Spaipa, Joceli Burda, fica no restaurante todos os dias para auxiliar no atendimento e esclarecer dúvidas de interessados e curiosos sobre o funcionamento do Prato Popular. Ela conta como está sendo gratificante atender essas pessoas. ?Nunca tive uma experiência como essa antes. Estas pessoas, apesar do sofrimento causado pelas dificuldades da vida que levam, estão sempre sorrindo e bem humoradas?, conta ela referindo-se aos catadores de papel, que também almoçam no local.

O carrinheiro Ivo Souza dos Santos, de 47 anos, é um exemplo disso. Começa cedo catando papéis e lixo reciclável e trabalha nas proximidades da Praça Rui Barbosa. Ivo também fez seu cadastro e almoça no restaurante comunitário diariamente. Ele conta que às 6h30 da manhã já está nas ruas com seu carrinho. Com dois filhos pequenos – de 3 e 5 anos – em casa e a esposa desempregada, Ivo elogia a iniciativa de abrir um restaurante comunitário em prol dos menos favorecidos. ?Por mais que trabalhe o dia todo, o que a gente ganha é pouco, mas almoçando por esse preço, economizo na comida e levo mais dinheiro para casa?, comemorou ele.

Outro que demonstra satisfação com o restaurante comunitário é o estudante de ensino médio Tiago Haas, de 17 anos. Com uma dupla jornada escolar ? estuda de manhã no colégio regular e à tarde se prepara para o vestibular no cursinho ? ele conta que este restaurante ?veio mesmo a calhar. Não dá tempo de almoçar em casa e os restaurantes mais baratos são afastados. Aqui, pelo menos, posso almoçar e descansar um pouco antes de ir para o cursinho?.

Grande parte do público que almoça no Prato Popular tem renda inferior ou equivalente a um salário mínimo. São, geralmente, aposentados, trabalhadores informais e estudantes da rede pública de ensino. O cadastro é feito no local e aprovado por meio de uma entrevista com as assistentes sociais, que estão todos os dias no restaurante. O cadastro leva de dois a três dias para ser aprovado e é dessa forma que é possível atender realmente quem precisa. O almoço é servido das 11h às 14h e o endereço é rua Presidente Farias, 481.