O secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, afirmou que o crescimento do PIB no segundo trimestre do ano não afeta a política fiscal do governo. Segundo ele, a cada dois meses é analisado o comportamento da economia, e sobretudo das receitas, para que sejam tomadas medidas de ajuste, com o objetivo de cumprir a meta de superávit primário. "Até setembro, faremos essa análise, mas até o momento temos a situação (do superávit primário) dentro do previsto", disse.

Para ele, o PIB veio no limite inferior das expectativas, ficando um pouco abaixo da média esperada pelo mercado. "Mas temos confiança de que os indicadores do terceiro trimestre mostrarão uma recuperação da economia. A política monetária está contribuindo para esta direção. Ontem, o Banco Central reduziu os juros básicos da economia em 0,5 ponto porcentual, para 14 25% ao ano.

Isenção de IR para estrangeiros

Kawall admitiu a possibilidade de o governo estudar a isenção de imposto de renda (IR) para os investimentos estrangeiros em títulos de renda fixa privada. No início deste ano, o governo retirou a cobrança de IR para estrangeiros nos títulos públicos.

"A partir dos próximos meses e, principalmente, do ano que vem, poderemos analisar mais profundamente essa possibilidade", afirmou. Segundo ele, a medida poderá ser adotada para dívida privada se o governo concluir que houve benefícios ao setor público e que não gerou volatilidade no mercado. "O governo também precisa ver se não terá problemas fiscais com a ação", disse.

Para Kawall, o investidor estrangeiro nunca terá na dívida pública uma participação tão importante como tem no mercado acionário, por exemplo. Isso porque o volume de títulos públicos é enorme no País.

Já na dívida corporativa, Kawall acredita que os estrangeiros poderão ter uma participação grande, pois se trata de um mercado muito pequeno em volume. Para ele, essa atuação do investidor estrangeiro poderá levar muitas empresas a optar pela emissão de títulos no País, em detrimento de operações no exterior. O secretário participou do "1º Seminário Anbid de Finanças Corporativas", que acontece em São Paulo.