O julgamento de Saddam Hussein pela morte de 180 mil curdos nos anos 1980 foi retomado nesta segunda-feira (08) com a cadeira do falecido ditador vazia nove dias depois de ele ter sido enforcado. A primeira ordem do tribunal foi retirar todas as acusações contra Saddam. Seis colaboradores de Saddam, que também são réus no caso, ainda enfrentam acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade pelos papéis que tiveram numa campanha militar que levava o nome de Operação Anfal, durante a guerra Irã X Iraque, entre 1980 e 1988.

Logo depois que o tribunal voltou a se reunir hoje, um auxiliar chamou os nomes dos acusados e os seis homens entraram lentamente no recinto do tribunal, um após o outro. O juiz chefe Mohammed Oreibi al-Khalifa disse que o tribunal decidiu suspender todas as ações legais contra o ex-presidente, uma vez "que a morte do réu Saddam foi confirmada". Saddam foi enforcado em 30 de dezembro numa execução caótica que levou o governo dominado pelos xiitas a receber críticas do mundo todo. Um vídeo ilegal gravado dentro da câmara de execução mostrou o ex-ditador sendo insultado dentro da forca.

A organização Human Rights Watch afirmou que a rápida execução revela o pouco caso do governo iraquiano em relação aos direitos humanos, e instou os funcionários iraquianos a suspender as duas execuções que ainda devem acontecer. "O tribunal mostrou repetidas vezes o seu desprezo pelos direitos básicos de todos os réus", declarou o diretor do Programa de Justiça Internacional da Human Rights Watch, Richard Dicker.

O meio-irmão de Saddam e ex-chefe da inteligência, Barzan Ibrahim, e o ex-chefe da Corte Revolucionária do Iraque, Awad Hamed al-Bandar, foram condenados à morte depois de terem sido considerados culpados ao lado de Saddam, pelo envolvimento na morte de quase 150 xiitas em Dujail, após uma tentativa de assassinato de Saddam, que teve lugar nesta cidade em 1982.

No entanto, as execuções de ambos foram adiadas até depois do feriado de Eid al-Adha, que terminou seis dias atrás. Elas devem ocorrer nos próximos dias, embora Jaafar al-Mousawi, promotor chefe no caso de Dujail, tenha afirmado que o calendário seria "determinado pelo governo".