Ao lançar a Campanha da Fraternidade, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, através dos seus porta-vozes mais expressivos, instou a sociedade e o governo a inserirem no processo social os deficientes físicos. A Igreja Católica aproveitou a oportunidade para condenar com veemência as políticas neoliberais do governo federal, sua decadência política e moral e a frustração que vem causando às massas, às quais muito havia prometido e pouco ou nada vem fazendo – os deficientes políticos. O libelo contra o governo foi por este mal recebido e aplaudido por forças oposicionistas e ainda por setores produtivos, como a indústria.

Passaram-se menos de três dias e fatos novos nos mostram que há culpados pelos retrocessos, inclusive o político, em todos os partidos e coligações, na situação e na oposição. Muitos dos que hoje reverberam as atitudes ou falta de atitudes do governo não têm moral para fazê-lo e muitos dos que batem no peito, atribuindo ao situacionismo mil maravilhas ofertadas ao povo, não passam de hipócritas bajulando o poder, a única coisa que ambicionam. É o que se deduz das reações nos meios políticos à decisão do Tribunal Superior Eleitoral, que decidiu, por cinco votos a dois, que a verticalização não vale para as eleições deste ano. Só dos seguintes.

A verticalização, instalada por uma interpretação constitucional da Justiça Eleitoral, foi derrubada pelo Congresso através de uma PEC – Proposta de Emenda Constitucional, com votos favoráveis de políticos de todos os partidos. Lula se disse a favor da verticalização, mas a maioria de seus correligionários foi contra. Na oposição, o PFL, por exemplo, postou-se contra a verticalização. A deliberação do TSE não revigora a verticalização, mas apenas determina que ela não poderá ser usada nas eleições deste ano. Entre a promulgação da PEC e o pleito deve mediar pelo menos um ano.

Logo se levantaram vozes situacionistas e oposicionistas que estão pedindo uma decisão do Supremo Tribunal Federal em favor da verticalização já. A verticalização significa que se um ou mais partidos fizerem uma coligação no plano federal, terão de repeti-la nos planos estaduais. Nada daquela salada de partido tal unido a este e mais aquele para eleger o presidente da República e nos estados fabricar as mais esdrúxulas coligações, ditadas pelos interesses eleitoreiros, financeiros, de uso do tempo de propaganda gratuita e negociatas por detrás do pano que se constituem nos mais inconfessáveis conluios. Isso havia acabado, voltou com a PEC e políticos situacionistas e oposicionistas, salvo honrosas exceções, querem que a regra da salada mista política possa entrar em vigor já neste ano.

Um partido político deveria ser uma organização que congrega cidadãos com as mesmas idéias e que acreditam nos mesmos programas para conduzir os destinos do Brasil, seja da União, dos estados ou dos municípios. Não uma matilha de políticos famintos de poder, para os quais vale tudo, inclusive afirmar em Brasília uma coisa e negá-la em Goiás ou no Rio Grande do Sul. Mas, sem a verticalização que políticos de todas as siglas não admitem, a regra é a do vale tudo, menos compromissos sérios, pensados e pesados que sirvam para o desenvolvimento do País e o bem do seu povo. Estamos assistindo a um retrocesso político, mesmo que a verticalização acabe não valendo para as eleições deste ano.