A taxa de desemprego subiu de 10,2% em maio para 10,4% em junho porque a economia não está aquecendo o suficiente para permitir uma reação mais forte do mercado de trabalho, com maior geração de vagas, avaliou o coordenador da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo. Em junho do ano passado a taxa havia sido de 9,4%. Em junho em relação a maio, para o IBGE, estatisticamente houve uma "estabilidade" na taxa, que se repete desde fevereiro deste ano.

Para Azeredo, ao contrário do que se esperava, o desempenho do mercado de trabalho em 2006 é similar ao registrado em 2005, sem melhora significativa. "A tendência era que 2006 seria um ano melhor, mas isso não se confirmou", disse. Ele observou que talvez as taxas de juros ainda não tenham caído o suficiente para estimular os investidores na abertura de novas vagas, e o período eleitoral pode estar gerando alguma insegurança nos empresários.

Porém, ressaltou que há mudanças qualitativas nesse mercado, com aumento do emprego formal e do rendimento dos trabalhadores. "De maio para junho a expectativa era de queda na taxa de desemprego mas isso não ocorreu. A taxa continua estável, mas o número de pessoas ocupadas cresceu de forma significativa pela primeira vez neste ano e o rendimento e o emprego formal também apresentaram resultados positivos", disse.

Segundo ele, o aumento da demanda por emprego pressionou a taxa em junho e essa maior pressão de desempregados sobre a taxa de desemprego pode estar relacionada a novas oportunidades de trabalho, como a proximidade das eleições.

A taxa média de desemprego no primeiro semestre de 2006 ficou em 10,1%, ante 10,3% no primeiro semestre de 2005. A diferença da taxa entre os dois semestres não é considerada "estatisticamente significativa" pelo IBGE. No primeiro semestre de 2004 a taxa havia chegado a 12,3% e no primeiro semestre de 2003, a 12,2%.

Para Cimar Azeredo, a estabilidade na taxa de desemprego na média dos seis primeiros meses deste ano na comparação com igual período do ano passado confirma que o mercado de trabalho não mostrou a melhoria esperada em 2006 em relação a 2005. "Para o IBGE, a taxa de desemprego no primeiro semestre deste ano é a mesma do mesmo período do ano passado", disse.