Um robô subaquático capaz de trabalhar a até 300 metros de profundidade é o mais novo aliado da Copel para tornar mais ágeis e seguras as inspeções de manutenção e reparos em estruturas e equipamentos submersos, operações de risco que têm a participação de mergulhadores.

Desenvolvido e fabricado nos Estados Unidos pela SeaBotix, empresa de alta tecnologia nas áreas da robótica e microeletrônica, o aparelho custou cerca de R$ 300 mil, incluindo o treinamento técnico dos operadores, e já está sendo utilizado. Sua missão de estréia foi há poucos dias na Usina de Salto Caxias, localizada no trecho final do rio Iguaçu. O robô foi mergulhado no canal de fuga da hidrelétrica para mostrar o estado de conservação das guias da comporta de uma das unidades geradoras da hidrelétrica.

As imagens enviadas pelo equipamento ajudaram a diagnosticar o problema e facilitaram o trabalho da equipe encarregada do reparo, que pôde discutir e programar com antecedência toda a operação.

"O robô é uma ferramenta tecnologicamente evoluída, capaz de conferir extrema precisão às intervenções", observa José Ivan Morozowski, diretor de Geração e Transmissão de Energia e de Telecomunicações da Copel. "Com o auxílio do artefato, a empresa poderá abreviar o tempo de parada dos equipamentos para manutenção e executar os trabalhos necessários com muito mais rapidez e segurança". Além da estatal paranaense, apenas a Petrobras e a Universidade de Campinas ? Unicamp possuem robôs do mesmo modelo no país.

A profundidade máxima de 300 metros que pode ser atingida pelo robô é quase o dobro da altura máxima da maior barragem operada pela Copel ? a da Usina de Foz do Areia, no rio Iguaçu, que tem 160 metros.

O robô

O equipamento da Copel é dotado de duas microcâmeras, uma em cores, sensível a até 0,3 lux de luminosidade, e outra em infravermelho, capaz de operar com iluminação dez vezes menor (0,03 lux). Ambas possuem capacidade de movimento de 180 graus e ajuste de foco. O robô também tem sistema próprio de iluminação com lâmpadas halógenas e move-se com o impulso proporcionado por um conjunto de cinco turbinas. Sensores de profundidade, temperatura, orientação (bússola eletrônica) e de posicionamento das duas câmeras garantem ao operador absoluto controle sobre o equipamento, que também tem uma garra articulada com três "dedos".

Todos os comandos, sinais de vídeo e contatos do robô com seus operadores correm por um cabo que tem no seu interior feixe de fibras ópticas e o condutor para alimentação do equipamento. Da superfície, os técnicos manejam o robô usando uma maleta que contém monitor de cristal líquido, fonte chaveada, microprocessadores e o módulo de controle.

A equipe da Copel que recebeu treinamento diretamente dos fabricantes do robô começa a se preparar, agora, para multiplicar os conhecimentos e capacitar outros profissionais da empresa, também envolvidos com as áreas de operação e manutenção.

Menos riscos

Os estudos de avaliação para compra e uso de um robô subaquático pela Copel já têm quase dois anos e baseiam-se na necessidade de subsidiar a manutenção para serviços de conservação em estruturas e equipamentos que, por não estarem acima do solo, não estão visíveis. "Os equipamentos submersos são vitais ao funcionamento de uma usina e devem ser inspecionados rotineiramente", explica Romano Laslowski, superintendente de Operação e Manutenção da Geração da Copel. "A verificação periódica, que normalmente é feita com o auxílio de mergulhadores, será bastante facilitada, pois o robô vai reduzir os riscos e também o custo dessas inspeções".

O superintendente cita como grande ganho operacional o menor tempo de parada dos grupos geradores para manutenção. A inspeção convencional com mergulhadores, por melhor planejada que seja, sempre embute a dúvida do que vai ser encontrado sob a água. Com as imagens transmitidas pelo robô numa incursão prévia, os mergulhadores poderão descer sabendo exatamente o que verão e o que terão de fazer.

Numa hidrelétrica, devem ser constantemente monitorados os maciços da barragem, vertedouro, tomada d’água e casa de força, e os equipamentos ou estruturas metálicas como comportas e respectivas guias, grades de proteção, válvulas, descarregadores de fundo e condutos forçados, que são os tubulões que conduzem a água até as turbinas.

A Copel estuda a possibilidade de usar o robô também em inspeções dentro das turbinas, evitando a necessidade de esgotar toda a água contida no interior do conjunto, formado pela caixa espiral e o rotor.