A rodada multilateral Organização Mundial do Comércio (OMC) ganhou um inesperado reforço político na reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. O diretor-gerente do Fundo, Rodrigo de Rato, vem reiteradamente alertando no evento que uma escalada do protecionismo é um dos principais riscos para a economia mundial.

A rodada de Doha se tornou uma das bandeiras mais importantes do encontro, apesar da ausência em Cingapura dos principais negociadores comerciais. "Trata-se de um fator essencial para se estimular o crescimento global e reduzir a pobreza", disse o grupo de nações ricas. Ele exortou todos as partes envolvidas nas negociações a "mostrarem a vontade política e flexibilidade necessária para retomar a rodada de Doha o quanto antes, para conquistar um pacote abrangente na agricultura, produtos industriais, serviços – incluindo serviços financeiros – propriedade intelectual e regras comerciais da OMC".

O secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, também ressaltou o tema. "Os Estados Unidos estão preparados para fazer concessões e aumentá-las, se houver progressos nas propostas dos demais países", disse. "Nada contribuiria mais para o mundo, para os países pobres e em desenvolvimento, do que um sucesso na rodada.

O ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, que se reunirá com Paulson amanhã, disse que o Brasil também está disposto a fazer concessões nas negociações da OMC desde que os Estados Unidos e a União Européia melhorem suas ofertas de abertura para seus mercados agrícolas. "O impasse na rodada foi criado pela falta de flexibilidade da Europa e dos Estados Unidos", disse Mantega. "Se eles se mexerem, o Brasil também fará o mesmo.

O secretário do Tesouro norte-americano também aproveitou a ocasião para fazer um alerta ao mundo contra o financiamento do terror. Na conferência à imprensa após o encontro do G7, Paulson falou sobre o risco de o sistema bancário mundial estar sendo usado pelo Irã para financiar grupos terroristas e a fabricação de armas nucleares.

Segundo ele, existem mais de 30 empresas de fachada, incluindo bancos, que podem estar envolvidas na ajuda ao Irã, em geral sem saber disso. "Temos um trabalho educativo a fazer", disse Paulson. "Há evidências de que existam vários bancos – alguns blue-chips – facilitando esse tipo de atividade de forma não intencional.