Brasília – O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, descartou, há pouco, qualquer tipo de vinculação política em seu pedido de demissão, apresentado ontem (27) à noite ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista coletiva, o ministro negou que o PMDB tenha pedido o cargo, conforme foi noticiado hoje (28).

"Saio unicamente por considerar minha missão cumprida", afirmou Rodrigues, ao ressaltar metas de seu discurso de posse que foram atingidas. Entre elas, citou o fortalecimento da relação entre o setor agrícola e o governo, que foi possível com a formação dos vários fóruns setoriais; a modernização técnica e administrativa do ministério; a criação da ouvidoria; a formação de missões comerciais no exterior e o desenvolvimento de tecnologias como a agroenergia.

Rodrigues disse que a principal característica de sua gestão foi "administrar crises" e lembrou que, nos últimos dois anos, o setor agrícola passou pela pior crise dos últimos 40 anos. O ministro ressaltou que, em seu papel de mediador nas negociações entre governo e produtores, fez o que foi possível para encontrar a melhor solução.

O resultado foi o pacote agrícola anunciado no mês passado, acrescentou o ministro. "As negociações agora estão no nível técnico, e não no nível político. Portanto, não há mais necessidade de minha participação para implementação das medidas estruturantes", afirmou Rodrigues, referindo-se à desoneração de impostos e a medidas cambiais.