O ministro da Agricultura Roberto Rodrigues afirmou em entrevista coletiva que sua saída do cargo não significa que as medidas estruturais em estudo não serão implementadas este ano. Ele afirmou que acha difícil que tudo seja resolvido em 2006, mas parte do que foi projetado será implementado.

O ministro acredita que as medidas tributárias e fiscais que desonerem mais o setor são temas macroeconômicos. Portanto, não dependem necessariamente do Ministério da Agricultura para sua discussão. Além disso, o ministro lembrou que o debate sobre o pacote estrutural é técnico e por isso sua saída não prejudica a implementação.

Rodrigues avalia que a característica principal do seu mandato foi a de administrar a crise no setor. Ele afirmou que o governo ofereceu o que teve condições de oferecer. O ministro admitiu, no entanto, que a crise da agricultura é tão profunda que a solução dificilmente ocorreria da forma como desejavam os agricultores.

Ao ser questionado a respeito de um possível interesse do PMDB pela pasta da Agricultura, Roberto Rodrigues foi direto: "Desconheço que o PMDB tenha pedido meu cargo. Suponho que se isso tivesse ocorrido o presidente teria falado comigo. Não acredito que isso seja um fato." Segundo disse, em todos os momentos de crise política em que houve necessidade de rearranjo do governo ele sempre ofereceu o seu cargo ao presidente.

O ministro disse que ainda está negociando com o presidente Lula o melhor momento para sua saída do Ministério da Agricultura. Segundo ele, o acordo feito com o presidente seria o de permanecer no cargo até a sexta-feira (30), mas, como a informação sobre a sua saída vazou para a imprensa hoje, ele decidiu convocar uma entrevista coletiva para oficializar seu pedido de demissão. Rodrigues disse que volta a conversar com Lula na sexta-feira para definir a data de seu afastamento.

O ministro não quis anunciar o nome de seu substituto, afirmando que a escolha será do presidente da República. Informou ainda que, na conversa de ontem à noite com Lula, o presidente entendeu seus argumentos e não pediu para que ele continuasse no cargo. Rodrigues, no entanto, preferiu não dizer quando tomou a decisão de deixar o governo. O ministro disse que ainda não sabe o que irá fazer após sair do governo.