O gol contra o Corinthians, domingo, na vitória do São Paulo por 3 a 1, foi o prêmio de abertura de mais uma semana que ficará marcada na memória de Rogério Ceni. Quinta-feira será dia de o goleiro-artilheiro comemorar dez anos pelo primeiro gol marcado na carreira.

No dia 15 de fevereiro de 1997, Ceni atravessou o gramado do Estádio Hermínio Ometto, em Araras, para entrar na história. Foi dele o gol de falta que abriu o placar na vitória são-paulina por 2 a 0 sobre o União São João. De lá para cá, foram mais 68 gols – 43 de falta e 25 de pênalti – e nove títulos como titular absoluto, em quase 17 anos de São Paulo.

"Lembro que ficou marcado pela polêmica que criaram. Ficaram analisando se eu devia ou não sair do gol para cobrar as faltas. Falaram sobre o risco de alguma coisa dar errada e o adversário aproveitar. Era uma coisa normal. Tudo o que é polêmico acaba virando notícia", comenta, hoje, Ceni

Só quem não gosta muito de lembrar do lance é justamente a primeira vítima do capitão tricolor. Adinam, atualmente na Caldense, de Minas Gerais, era o titular do União São João, naquele dia fatídico. "Tenho que lembrar de coisas boas e não dos gols que tomo. Que vantagem que levo em ter sofrido o primeiro gol do Rogério?", questiona Adinam.

Mas a carreira de artilheiro esteve ameaçada de não deslanchar. Logo no ano seguinte ao primeiro gol, Ceni foi proibido por Mário Sérgio de atravessar o campo para cobrar faltas. Não é à toa que naquela temporada, o camisa 1 balançou as redes apenas duas vezes – contra Santos e São José, no Campeonato Paulista.

"O Mário (Sérgio) sempre foi um grande amigo e acreditava que colocaria em risco o time se eu fosse até o ataque para bater as faltas. Mas nunca tive problema nenhum com ele. Eu só tinha que respeitá-lo. Entendi perfeitamente", garante Rogério Ceni.

Para sorte do torcedor são-paulino, ele voltou a ser liberado para as cobranças. De alguns anos para cá, se tornou também o batedor oficial de pênaltis. Coincidência ou não, foi o artilheiro do time nos dois últimos anos. Em 2005, foram 21 gols; no ano passado, 16. A temporada passada também ficou marcada por ele ter batido a marca do paraguaio Chilavert (63 gols).

Nesse ritmo, não é nenhum absurdo imaginar o capitão tricolor, que já soma 712 partidas pelo clube, marcando o 100º gol. "Não tenho pretensão de nada. Só de títulos e será um prazer muito grande se eu novamente puder comemorar títulos pelo São Paulo, em 2007", afirma.

Rogério também conseguiu fazer história na seleção brasileira. Em 2000, foi convocado por Emerson Leão não apenas para fechar o gol, mas também por ter se tornado um especialista em cobranças de falta. Em um jogo contra a Colômbia, durante as Eliminatórias pintou uma oportunidade, mas o gol não veio. Diante do Peru, nova chance e nada de gol. "Tenho de agradecer ao Leão por ter deixado um goleiro de seleção sair do gol para cobrar uma falta. Foi legal para quebrar um tabu. Pelo que lembro, colocaram um zagueiro em cima da linha só pra tirar de cabeça.

Para o goleiro-artilheiro, difícil é eleger o gol mais bonito. "Cada um tem um significado importante pra mim", disse. "O primeiro é claro que foi muito importante. Contra o Santos, na final do Paulista de 2000, também ficou marcado. Ter feito dez gols na história da Libertadores é fantástico. E o gol contra o Al-Ittihad, no Mundial de Clubes, também.

Hoje, Ceni serve de inspiração para a nova geração. Já está até preparado para quando tiver de defender uma cobrança de falta de um goleiro rival. "É normal que os mais novos se espelhem em mim. Quando eu era juvenil, me espelhava no Zetti. Isso é legal porque mostra a influência. O Tiago, da Portuguesa, fez gol outro dia. É uma coisa natural", diz.

No São Paulo, o jovem Jorge Miguel, de 18 anos e titular do time vice-campeão da Copa São Paulo de Juniores, é mais uma das "crias" de Ceni. "Independentemente dele bater faltas, é um atleta de bom caráter para trabalhar no São Paulo", elogia o capitão, goleiro e artilheiro.