(AE) – O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, disse nesta terça-feira, em Milão, ao interventor nomeado pelo governo italiano para a Parmalat, Enrico Bondi, que as prioridades do governo brasileiro para a empresa são a preservação dos produtores, fornecedores, funcionários e das unidades operacionais. Rossetto disse que a legislação italiana prevê prazo de 60 dias para que o interventor avalie a viabilidade da empresa. Esse prazo vencerá no dia 24 deste mês. Se ele avaliar que a Parmalat é viável, ele terá quatro meses para apresentar um plano de reestruturação

Durante a conversa com o ministro, da qual participaram também deputados da comissão especial da Parmalat na Câmara, Bondi telefonou para a Parmalat no Brasil e orientou a empresa a apresentar documentos solicitados pela justiça brasileira para a análise do pedido de concordata. A Parmalat do Brasil havia pedido 90 dias para apresentar esses documentos, mas a justiça concedeu apenas 30 dias. Segundo Rossetto, “é fundamental que o prazo seja urgentemente antecipado”, pois a partir disso seria criado um ambiente mais estável “para poder operar junto aos credores uma alternativa positiva”

Sobre a possibilidade de uma intervenção no Brasil, a exemplo do que fez o governo italiano, Rossetto explicou que a legislação italiana é distinta da brasileira. No Brasil não haveria previsão para uma intervenção nos moldes daquela que foi feita na Itália, conforme Rossetto. O ministro afirmou que há dificuldade em determinar transferência de recursos entre as empresas do conglomerado Parmalat, já que há 210 companhias do grupo, sendo 100 com sede em paraísos fiscais

Rossetto informou que o governo não trabalha, neste momento, com uma alternativa de garantia de renda ao produtor, como havia solicitado a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A preocupação do governo é assegurar a continuidade operacional das fábricas, disse.