O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura Gabriel Alves Maciel, confirmou ontem que a Rússia retomará as importações de carne de Mato Grosso, que estavam suspensas desde outubro do ano passado quando foram diagnosticados casos de febre aftosa no rebanho de Mato Grosso do Sul e do Paraná. Mato Grosso tem o segundo maior rebanho de bovinos do País. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) havia informado na quarta-feira que o embargo contra as carnes bovina e suína seria suspenso.

Maciel esteve ontem no Recife acompanhando a visita que dois veterinários russos fizeram ao Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro). Os russos chegaram ao Brasil no começo do mês para verificar as medidas adotadas pelo Brasil para controle dos focos de febre aftosa. Eles também estiveram no Rio Grande do Sul e, na quarta-feira, foram para Mato Grosso. Maciel disse que o fim do embargo foi um "fato muito significativo, muito positivo".

Segundo a Abiec, os embarques de Mato Grosso estão liberadas desde ontem e poderão ser exportadas carnes produzidas a partir de 1º de julho. Os exportadores informaram que a Rússia habilitou 15 frigoríficos do Estado, aumentando para 27 as unidades que podem exportar para o país. Os outros frigoríficos estão em Rondônia (2), Tocantins (2), Espírito Santo (1) e Rio Grande do Sul (7).

Na próxima segunda-feira, Maciel, técnicos da secretaria e os russos se reunirão na sede do Centro Panamericano de Febre Aftosa (Panaftosa) no Rio para uma reunião final. Atualmente, seis Estados estão proibidos de vender carne para a Rússia – Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Minas, Paraná e Santa Catarina.

Principal comprador

Nas contas da associação, Mato Grosso poderá exportar cerca de 30 mil toneladas de carne por mês à Rússia. Em julho o Brasil vendeu 220,6 mil toneladas de carne bovina ao mercado externo, das quais 39,2 mil toneladas foram para a Rússia.

De janeiro a julho deste ano, a Rússia aparece como o principal destino de carne in natura do Brasil, com um rendimento de US$ 251 milhões em receita e 171 mil toneladas em volume.