A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão pertencente à estrutura funcional do Ministério da Agricultura, consolidou os números do último levantamento e confirmou que o Brasil vai colher no ano agrícola de 2007/08 uma safra recorde: 142,1 milhões de grãos, fibras e cereais. O ano agrícola se encerra no dia 30 de junho e até lá mesmo com a probabilidade de variações, na consideração dos técnicos elas terão pouca influência sobre o montante final da colheita.

No balanço do oitavo levantamento realizado pela Conab percebe-se o extraordinário avanço da produção de milho em comparação à produção de soja. Na safra anterior, a colheita de milho chegou a 51,370 milhões de toneladas, para 58,376 milhões de toneladas de soja. O prognóstico atual aponta para a admirável produção de 57,877 milhões de toneladas de milho e, em contrapartida, um razoável avanço da soja em relação à colheita de 2006/07, fechando em 59,503 milhões de toneladas.

O relatório técnico do governo mostra que a área plantada cresceu 1,6% em relação à anterior, com a anexação de 756 mil hectares especialmente no estado do Mato Grosso, que contribuiu com 10% do total da área incorporada à produção agrícola na temporada atual. O avanço da área plantada resultou no aumento de 10,360 milhões de toneladas (7,9%) na estimativa de safra.

Além disso, a agricultura brasileira estará comemorando também o crescimento de 6% na produtividade média das lavouras, tendo em vista o desempenho considerado excelente do ciclo agrícola nos Estados do Paraná, Goiás, Piauí e Rondônia. Esse é um fato que chama a atenção, não apenas para as condições climáticas favoráveis que foram observadas nas diversas fases de desenvolvimento do ciclo vegetativo, mas acima de tudo para o aprimorado padrão tecnológico implantado de alguns anos a esta parte, sobretudo na atividade agrícola das regiões Sul e Centro-Oeste. Como sempre, o produtor rural paranaense deu a contribuição que dele se esperava, e esse é um motivo de júbilo para todos nós.

Com uma safra tão abundante seria lícito contar com a imediata suspensão dos reajustes dos preços dos alimentos básicos. Tal impressão foi corroborada pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, para quem não há nenhum motivo suficiente para a alta de preços dos alimentos neste ou no próximo ano. Entretanto, o ministro lembrou que o impacto altista poderá voltar à tona provavelmente em 2010. A fim de evitar o agravamento do problema, o governo já decidiu que vai restringir a exportação de arroz, cujo estoque regulador é um dos mais baixos dos últimos anos.

Com o objetivo de continuar estimulando a produção nos próximos anos, calculando-se que o total da safra poderá superar 150 milhões de toneladas, Stephanes comentou que o governo pretende estabelecer uma política de preços mínimos adaptada à realidade, garantir a oferta de recursos para custeio a juros subsidiados, além de ampliar a capilaridade do seguro rural. Exemplo da disposição do governo em estimular a produção agrícola está no feijão, principal produto de consumo na mesa dos brasileiros, cujo preço mínimo por saca passará dos atuais R$ 47 para algo entre R$ 70 e R$ 80 na próxima safra.

Outra meta do governo é criar condições para o aumento da produção interna de trigo, que começa a ser plantado na região Sul. A estimativa de safra continua baixa (3,820 milhões de toneladas), mesmo com o avanço de 71% em relação ao ano anterior. Os problemas de importação se agravaram nos últimos meses e o resultado foi o aumento do preço do pão e das massas em geral, com a inevitável contaminação dos índices inflacionários. Somente com a conquista da auto-suficiência na produção de trigo o País estaria livre desses abalos sazonais. Mas, este continua sendo um desafio ingente para o qual ainda não se conhece a resposta mais adequada.