Brasília – O relatório ?Panorama do Emprego 2006?, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), constata que houve, nos três primeiros trimestres de 2006, um aumento de 4,7% dos salários mínimos na região da América Latina e Caribe. O aumento acompanhou o crescimento real dos empregos industriais, que cresceram em média 3,9% no período considerado dos três primeiros trimestres de 2006 em comparação a igual período do ano passado.

Conforme o relatório, ?os salários reais industriais cresceram em todos os países da região [que enviaram informação à OIT], enquanto os salários mínimos reais aumentaram, numa tendência fortalecida por um maior controle da inflação, mas nem todos os países alcançaram, em termos reais, os salários mínimos que tinham no começo dos anos 90?.

O documento da OIT, divulgado hoje (6) pela diretora do escritório da entidade no Brasil, Laís Abramo, mostra que os resultados positivos alcançados tanto em emprego quanto no valor real dos salários corroboram a concepção do organismo de que ?o crescimento econômico é condição necessária para alcançar o progresso social e do trabalho, mas não é o suficiente por si só para criar a quantidade de postos de trabalho, da qualidade que requerem os países da região". Segundo a OIT, é necessário contar com políticas econômicas e sociais destinadas a "impulsionar o trabalho decente".

Segundo o relatório, o objetivo é conseguir alcançar a primeira  meta do milênio da Organização das Nações Unidas (ONU), ou seja, reduzir pelo menos à metade a incidência da extrema pobreza na América Latina e Caribe até o ano 2015 e contribuir para a redução das desigualdades sociais. O relatório considera que, dificilmente, nessas condições, a região alcançará essa meta.

Os salários industriais no Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Uruguai e Venezuela, países que representam 84% da População Economicamente Ativa (PEA) urbana da região, tiveram um incremento de 3,9% em média no terceiro trimestre (julho, agosto e setembro) de 2006, enquanto o salário mínimo da região aumentou 4,7%, no mesmo período. O Brasil vem em segundo lugar (13,0%) entre os maiores aumentos do salário mínimo (o Uruguai ficou em primeiro, com 17,2%, e a Argentina em terceiro, com 12,4%).