Abertos, cruzados e analisados, os dados de um acervo de 32 CD-ROMs da CPI dos Sanguessugas formam aquela que pode ser considerada uma das mais completas radiografias do propinoduto operado pelos empresários Darci Vedoin e Luiz Antônio Vedoin, proprietários da Planam, em favor de uma centena de parlamentares.

Apesar da sofisticação da corrupção – o que permitiu à Planam controlar as senhas secretas de acesso à tramitação das emendas dos parlamentares ao Orçamento-Geral da União -, a relação entre deputados, senadores, os assessores deles e os empresários do esquema de corrupção também era permeada por ameaças e pactos, ao melhor estilo das operações de caráter mafioso.

Nas gravações legais feitas pelos agentes da Polícia Federal, um funcionário do gabinete do deputado Raimundo Santos (PL-BA) chega a mandar um recado ao empresário Luiz Antônio Vedoin, além de deixar clara a utilidade eleitoral do esquema. O assessor diz que a ambulância do acerto precisa chegar logo ao município de São Félix, pois, do contrário, o deputado pode perder a eleição. Nesse caso, ameaça o assessor em nome do deputado, ?não precisa procurar ele para mais nada em Brasília?.

Numa conversa cruzada, envolvendo um contador, a PF ficou sabendo que o deputado Marcos Abramo (PP-SP) ?brigou querendo a parte dele?. O deputado Eduardo Seabra (PTB-AP) adotava outra técnica: ele foi flagrado pelas escutas implorando a Darci Vedoin: ?Não me abandone, não me deixe sozinho.? E acrescenta: ?Sem oxigênio.

O assessor da deputada Elaine Costa (PTB-RJ), Marco Antônio Lopes, também tem um estilo cordato de cobrança: ?Posso falar para a deputada que os 10 mil ela precisava (…) você arrumou?? O assessor era ex-funcionário da Planam e foi preso pela Polícia Federal na operação Sanguessuga.