O Santos derrotou o Botafogo por 2 a 1, neste domingo, interrompendo a série de seis resultados negativos, classificando-se para a Copa Sul-Americana de 2006, na última partida do ano na Vila Belmiro e o primeiro sob o comando do interino Serginho Chulapa. A torcida protestou muito e atirou ovos nos jogadores quando o time ia para o vestiário, no intervalo.

O primeiro tempo ofereceu poucas emoções aos 3.590 torcedores que compareceram à Vila Belmiro. O momento de explosão foi aos 18 minutos, quando o serviço de som informou o gol da Ponte Preta, no Morumbi. Seis minutos antes, quando Geílson fez 1 a 0, a comemoração foi discreta, apenas nas sociais do estádio. A jogada começou com Rossini, na esquerda. Kléber avançou e recebeu a bola, cruzando na primeira trave para Geílson se antecipar à zaga e finalizar com sucesso.

O gol de pênalti de Jorge Vagner, colocando o Internacional na frente, na Beira-Rio, também foi bastante comemorado. E apesar da vitória parcial (1 a 0), o time foi para o vestiário sob uma ‘chuva’ de ovos e ouvindo a torcida cantar "Vergonha….time sem vergonha". Apenas Geílson, que correu durante os 45 minutos foi aplaudido. "Pelo menos comigo eles não tiveram esse tratamento. Procuro honrar a camisa e acho que o torcedor gosta da maneira como me comporto em campo", disse o atacante.

Nas arquibancadas, atrás do gol do placar eletrônico, foram abertas faixas com críticas contra o presidente do clube e o time. "Marcelo Teixeira desmanchou o time e só contratou tranqueira", "Vendido tem que apanhar na cara", "Lugar de mercenário não é no Santos", "7 x 1 – vergonha. Eu não esqueci", "Receberam US$ 50 milhões e montaram um time de m…", "Talvez sejam jogadores. Não foram homens", entre outras.

Mesmo sem ser brilhante, o time mostrou melhor organização na defesa e no meio-de-campo e até poderia ter aberto uma boa vantagem no marcador ainda no primeiro tempo se aproveitasse melhor as muitas oportunidades de gol que criou. O Botafogo foi um adversário sob medida para o Santos sair da crise. Em alguns momentos, até trabalhou bem a bola, mas não conseguia finalizar com perigo.

Indiferente aos protestos do torcedor, o time voltou para o segundo tempo jogando mais ofensivamente. Aos 6 minutos, Luís Alberto cruzou da esquerda e Rogério, num bonito bate-pronto, ampliou a vantagem para 2 a 0. A torcida guardou as faixas e logo depois começou a pedir a entrada de Basílio, em razão da fraca atuação de Frontini, mas não foi atendida.

Aos 25 minutos, um acontecimento inusitado: o quarto árbitro Romildo Corrêa, entrou em campo, falou com o juiz Bozzano, tirou a camisa azul do uniforme para mostrar a frase escrita na camiseta branca. "Romildo: inocente, mas punido". Cumprimentou alguns jogadores, jogou a camisa de juiz no gramado e deu entrevistas dizendo que estava encerrando a carreira em sinal de protesto pelos problemas na arbitragem. "Encerro a minha carreira de 15 anos. Nada foi provado contra mim, mas fui punido com o afastamento".

Depois de o Santos desperdiçar muitas chances para golear, Rui, aos 47 minutos, fez o gol de honra do Botafogo, com um chute forte e cruzado.