Brasília ? No processo da 3ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador, que acontecerá em novembro, em Brasília, um dos pontos discutidos será a necessidade de se ampliar os estudos e a compilação de dados sobre a saúde dos trabalhadores no país. Isso aumentaria a capacidade de formular políticas públicas de saúde voltadas para o aperfeiçoamento da prevenção, da fiscalização e do atendimento ao trabalhador.

Segundo o coordenador da Área Técnica de Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde Marco Antônio Gomes Pérez, são necessárias mudanças nos levantamentos realizados pelo Departamento de Informação e Informática do SUS ? Datasus. "Técnicos do Ministério da Saúde solicitaram que haja uma nova plataforma de coleta dos dados da saúde do trabalhador, pois atualmente apenas 30% dos dados do Datasus são referentes às pessoas que estão no mercado de trabalho", explicou o coordenador.

Em novembro do ano passado, o Seminário Preparatório da Conferência 3ª Nacional de Saúde do Trabalhador tocou no tema da gestão da informação da área. O Conselho Nacional de Saúde, em reunião ordinária, se baseou no relatório final do encontro e apresentou propostas na área.

Uma delas sugere a implementação pelo governo federal e governos estaduais de um sistema de informação e comunicação articulado entre os diversos setores envolvidos nas políticas públicas de saúde do trabalhador.

O documento do Conselho Nacional de Saúde ainda destaca uma sugestão para combater dois dos principais desafios da saúde do trabalhador atualmente: a subnotificação das doenças e acidentes de trabalho e a inclusão dos trabalhadores informais. Ambos, dentro de um sistema de informação, ajudariam a ampliar e melhorar o atendimento especializar ao trabalhador.

As etapas municipais da 3ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador, que tem como tema, "Trabalhar sim, adoecer não", acontecem neste mês. Até o próximo dia 23 de outubro ocorrem os debates estaduais, que, após concluídos, serão enviados para a etapa nacional.

O coordenador da Área Técnica de Saúde do Trabalhador, Marco Pérez, lembra da importância das conclusões das conferências. "Por exemplo, na 2ª Conferência Nacional da Saúde do Trabalhador, realizada no início da década de 90, ficou demonstrado a importância de se criar uma rede nacional de atenção integral à saúde do trabalhador. Hoje temos mais de 110 centros interligados em todo o Brasil".