A projeção que o Banco Mundial fez na década de 80 sobre o avanço do número de casos de AIDS no Brasil não se confirmou. Em 2000, estava sendo previsto que 1,2 milhão pessoas seriam infectadas pelo vírus HIV. A incidência, segundo dados do Ministério da Saúde, chegou a 600 mil casos, metade que o esperado. A informação foi dada pelo presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), João Mendonça, durante palestra no 1º Congresso Brasileiro de AIDS, que termina nesta quarta-feira, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda.

O médico atribui o controle da epidemia ao sucesso do Programa Nacional de Combate à AIDS, implementado no país pelo Ministério da Saúde. Segundo Mendonça, a medida resulta na redução de infecções oportunistas, de hospitalizações e da mortalidade. No entanto, ele destacou que ainda é preciso vencer os entraves que atrapalham a evolução do tratamento. Citou os efeitos colaterais dos remédios, com destaque para alterações corporais, a partir da redistribuição de gorduras, a chamada lipodistrofia, e o aumento de colesterol e triglicérides, que deixam os pacientes suscetíveis a enfarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.