Brasília – A falta de chuva nas principais regiões produtoras de café do Brasil, como Espirito Santo e o Sul de Minas Gerais, está prejudicando a safra 2007/2008, aponta o Conselho Nacional do Café (CNC). ?A queda de produção na próxima safra pode ser bem maior que a esperada?, alerta o presidente do órgão, Maurício Miarelli.

Fatores como a falta de chuvas, aliados às altas temperaturas durante o dia e à inversão térmica à noite, aumentam o desgaste da lavoura. Além da perda natural provocada pela bianualidade negativa (o café tem a peculiaridade de ter boa produtividade em uma safra e, em outra, uma produtividade menor, por causa do desgaste fisiológico que a planta sofre), dados do CNC mostram que a produtividade na safra 2007/2008 pode cair entre 10% e 20%.

A Fundação Procafé demonstra que a planta pode suportar até 150 milímetros cúbicos de déficit hídrico (falta de água, que pode ser causada pela escassez da chuva e suprida por irrigação, por exemplo) sem grandes prejuízos ao seu desenvolvimento. No entanto, o déficit registrado até agora é de 230 milímetros cúbicos.

O local mais afetado é o sul de Minas Gerais. ?Praticamente toda essa região está submetida a uma estiagem desde o final de março, são cerca de 150 dias sem chuva? disse Miarelli.

Um levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostra que a produção para a safra 2006/2007 não foi prejudicada pela seca. A estimativa é que sejam produzidas 41,6 milhões de sacas (cada uma pesa 60 quilos), número que representa um aumento de 26,2% (8,6 milhões de sacas) em relação à safra anterior.

O Conselho Nacional do Café é composto por associações e cooperativas que, juntas, têm mais de 65 mil cafeicultores, que respondem por aproximadamente 40% da safra nacional de café.